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Acordo de Trump por reservas da Venezuela: o que se sabe

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um acordo que, segundo ele, dará aos americanos acesso a uma parcela das vastas reservas de petróleo da Venezuela. Trump classificou o pacto como "o maior acordo petrolífero da história do mundo", mas a Casa Branca ainda não divulgou o texto nem esclareceu todos os termos.

Segundo informações do governo interino da Venezuela, o acordo prevê a criação de uma nova empresa, formada pelo governo americano e um operador privado ainda não identificado, com direitos sobre grandes áreas de exploração. A duração seria de 25 anos, com desenvolvimento de 17 campos estratégicos e capacidade potencial de produção superior a 1,5 milhão de barris por dia.

Trump afirmou que os EUA terão 55% da produção efetiva da nova companhia, além de participação acionária e direito de comprar petróleo a preço de custo. Parte do petróleo adquirido será destinada às reservas estratégicas americanas e às Forças Armadas. O acordo foi negociado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, e pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.

A Venezuela afirma que manterá a propriedade e a soberania sobre seus recursos naturais. Rodríguez disse que o acordo permitirá recuperar a indústria petrolífera e transformar reservas em investimentos, empregos e receitas. Considerando um preço de referência de US$ 65 por barril, o projeto poderia gerar mais de US$ 209 bilhões para os cofres venezuelanos. Também estão previstos oito blocos na Faixa do Orinoco, com royalties de 16% e imposto de renda de 34%.

Especialistas, porém, avaliam que o efeito nos preços americanos não deve ser imediato. A infraestrutura venezuelana está deteriorada após anos de baixos investimentos, e a recuperação exigirá bilhões e anos. Amy Myers Jaffe, diretora do Laboratório de Energia, Justiça Climática e Sustentabilidade da Universidade de Nova York, diz que o acordo pode ser relevante no longo prazo, mas não deve derrubar os preços já. David Oxley, economista-chefe de clima e matérias-primas da Capital Economics, afirma que, em tese, o pacto poderia ampliar as reservas sob influência americana e reduzir a dependência de fornecedores como México e Arábia Saudita.

Ainda não se sabe quem financiará os investimentos, qual será a participação americana exata e qual companhia privada operará. A Chevron, única grande petrolífera americana com produção ativa na Venezuela, não comentou. A Exxon Mobil também não se pronunciou. O anúncio ocorre em meio à guerra com o Irã, que afetou o fluxo do Golfo Pérsico e elevou os preços, aumentando a pressão sobre Trump antes das eleições de novembro.

Caetano Vidal
Analista de criptoativos
Analista de criptoativos.
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