Economia

São Paulo e Santa Catarina concentram 52% do impacto do tarifaço dos EUA

ResumoSão Paulo e Santa Catarina concentram 52% do impacto do tarifaço dos EUA sobre exportações brasileiras. São Paulo responde por 41,6% do total de US$ 7,4 bilhões em vendas afetadas. Santa Catarina tem 68% das exportações ao mercado americano atingidas pela medida tarifária, conforme dados da ApexBrasil.

São Paulo e Santa Catarina concentram 52% do impacto do tarifaço dos EUA, que atinge US$ 7,4 bilhões em vendas brasileiras. Dados da ApexBrasil mostram que São Paulo responde por 41,6% do total e Santa Catarina tem 68% das exportações aos EUA afetadas. A agência anunciou um plano

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 20 de julho de 2026
São Paulo e Santa Catarina concentram 52% do impacto do tarifaço dos EUA

O tarifaço anunciado pelos Estados Unidos contra o Brasil atinge desproporcionalmente dois estados: São Paulo e Santa Catarina. Juntos, eles concentram 52% do impacto total das novas tarifas de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. Dos US$ 7,4 bilhões em vendas afetadas, US$ 3 bilhões têm origem em São Paulo, segundo dados da ApexBrasil, a Agência Brasileira para Promoção de Exportações e Investimentos, ligada ao Ministério de Desenvolvimento, Comércio e Indústria (MDCI).

Os dados são da ApexBrasil, que também anunciou um plano de R$ 130 milhões para auxiliar as empresas afetadas a diversificarem seus mercados. O governo brasileiro rejeita as justificativas usadas para a taxação, que passam a valer a partir desta quarta-feira (22) e devem afetar 19,2% do total exportado pelo Brasil aos EUA.

O peso de São Paulo no tarifaço

Sozinho, São Paulo concentra 41,6% do total do valor das exportações afetadas pelas novas tarifas. Isso representa 20% de todas as exportações paulistas aos EUA. O estado economicamente mais forte do país é o maior exportador para o mercado americano e, por isso, leva a maior fatia do impacto.

Para as empresas paulistas, a tarifa adicional de 25% significa perda de competitividade em setores como máquinas, equipamentos e produtos industrializados. A ApexBrasil estima que o plano de R$ 130 milhões possa ajudar essas companhias a encontrar novos compradores em outros países.

Santa Catarina em situação mais crítica

Santa Catarina tem uma situação ainda mais delicada. Considerando o total das exportações afetadas, 68% das exportações catarinenses aos EUA foram atingidas pelas tarifas. Isso coloca o estado como o mais dependente do mercado americano entre os grandes exportadores.

O impacto atinge principalmente setores como carne de frango, suínos e móveis. A economia catarinense, fortemente voltada à exportação, terá que se adaptar rapidamente para evitar perdas maiores. O plano da ApexBrasil pode ser crucial para esses negócios.

Setor madeireiro do Paraná na mira

O setor madeireiro do Paraná também deve ser muito afetado. Isso porque 30% das importações de madeira dos EUA vêm do Brasil. Desse total, 66,7% tem origem no Paraná. A madeira brasileira é insumo essencial para a construção civil americana.

"Isso é ruim para as empresas do Paraná que trabalham com esse setor. Isso é ruim para quem importa madeira nos (EUA). Isso é ruim para a construção civil de lá, para quem vai comprar casa. Ou seja, isso tem impacto na inflação americana", comentou o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller.

A dependência americana da madeira brasileira é alta. Segundo Müller, não há como, de uma hora para outra, o americano buscar suprimento em outro local. A mesma lógica se aplica ao granito, outro produto afetado.

Granito brasileiro também na lista

Além da madeira, os EUA também são grandes importadores de granito do Brasil, produto que entrou no tarifaço. Dados da ApexBrasil apontam que 36% do granito importado pelos EUA vem do Brasil. O material é usado na construção civil.

"Não há como, de uma hora para outra, o americano, que tem 30% do seu suprimento de madeira do Brasil para construção, buscar em outro local. Não tem como buscar granito em outro local com essa dependência de 36%", comentou o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller.

A situação mostra que o tarifaço não afeta apenas o Brasil, mas também setores estratégicos da economia americana. A construção civil nos EUA depende de insumos brasileiros que não têm substitutos imediatos no mercado global.

O que muda com as novas tarifas

Na semana passada, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) confirmou uma tarifa adicional de 25% em parte dos produtos brasileiros, alegando supostas práticas "desleais" no comércio por parte do Brasil. O governo brasileiro rejeita as justificativas.

As novas tarifas passam a valer a partir desta quarta-feira (22) e devem afetar 19,2% do total exportado ao país norte-americano. O plano da ApexBrasil de R$ 130 milhões busca mitigar os efeitos, ajudando empresas a diversificar mercados.

Para o exportador brasileiro, o caminho é encontrar novos compradores na Ásia, Europa e América Latina. A diversificação de mercados é a estratégia central da agência para reduzir a dependência dos EUA.

Impacto na inflação americana

O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou que o tarifaço tem impacto na inflação americana. A madeira e o granito brasileiros são insumos essenciais para a construção civil nos EUA. Sem substitutos imediatos, os preços podem subir.

"Isso é ruim para as empresas do Paraná que trabalham com esse setor. Isso é ruim para quem importa madeira nos (EUA). Isso é ruim para a construção civil de lá, para quem vai comprar casa. Ou seja, isso tem impacto na inflação americana", disse Müller.

A fala do presidente da ApexBrasil reforça que a medida americana tem efeitos colaterais que vão além do comércio bilateral. A cadeia produtiva dos dois países está interligada.

Perguntas Frequentes

Quais estados brasileiros são mais afetados pelo tarifaço dos EUA?

São Paulo e Santa Catarina concentram 52% do impacto, com US$ 3 bilhões em vendas afetadas vindo de São Paulo. Santa Catarina tem 68% das exportações aos EUA atingidas.

Qual o valor total das exportações brasileiras afetadas?

Dos US$ 7,4 bilhões em vendas afetadas pelas tarifas de 25%, US$ 3 bilhões têm origem em São Paulo, segundo a ApexBrasil.

O que a ApexBrasil está fazendo para ajudar as empresas?

A agência anunciou um plano de R$ 130 milhões para auxiliar as empresas afetadas a diversificarem seus mercados.

Quais setores são mais impactados pelas novas tarifas?

O setor madeireiro do Paraná (66,7% da madeira exportada aos EUA vem do estado) e o granito brasileiro (36% do importado pelos EUA) estão entre os mais afetados.

Quando as novas tarifas dos EUA contra o Brasil passam a valer?

As tarifas adicionais de 25% passam a valer a partir desta quarta-feira (22) e devem afetar 19,2% do total exportado ao país norte-americano.

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