Economia

Açúcar pode virar commodity 'super quente' em 2027, diz ex-Wilmar

ResumoAçúcar pode se tornar commodity "super quente" em 2027, segundo ex-diretor de açúcar da Wilmar. A combinação de El Niño e a queda nos estoques indianos criaria condições para picos de preço, mesmo após alta de 20% registrada em agosto.

Ex-diretor de açúcar da Wilmar vê El Niño e queda nos estoques indianos criando as condições para um mercado 'super quente' em 2027, com picos de preço mesmo após a alta de 20% em agosto.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 14 de setembro de 2026
Açúcar pode virar commodity 'super quente' em 2027, diz ex-Wilmar

O açúcar pode se tornar a commodity 'super quente' de 2027 e protagonizar um dos mercados mais 'bullish' dos últimos 20 anos. A avaliação é de Jean-Luc Bohbot, ex-diretor de operações de açúcar da Wilmar International, empresa de comercialização e processamento de commodities com sede em Cingapura, em entrevista à Reuters.

Segundo Bohbot, a combinação entre a anomalia climática do El Niño e a redução dos estoques de açúcar na Índia cria as condições para um cenário de oferta apertada. 'Pode realmente ser a commodity super quente de 2027, já que o que está acontecendo atualmente e afetando o açúcar pode desencadear um dos mercados mais bullish dos últimos 20 anos', afirmou o ex-executivo, que deixou a Wilmar no início deste ano após 15 anos na empresa.

O último terço da safra brasileira, maior produtor mundial, provavelmente será afetado pelo excesso de chuvas. Já a Índia, segunda maior produtora, poderá ser forçada a importar 'volumes substanciais', disse Bohbot. O governo indiano permitiu importações isentas de impostos este ano para melhorar o abastecimento local e tentar moderar os preços.

Para o ex-diretor, os riscos de escassez não diminuíram durante a alta recente. 'Os riscos não diminuíram durante a alta; pelo contrário, aumentaram', declarou. 'A Índia teve uma monção mediana e irregular, combinada com estoques muito baixos e, na minha opinião, um déficit local de oferta e demanda. As exportações desaparecerão completamente, e a Índia poderá, em vez disso, se tornar uma importadora ainda maior em 2027.'

O clima quente e seco também prejudicou a produção na Europa e na Indonésia. Na Tailândia, segundo maior exportador mundial, a produção cairá porque alguns agricultores passaram a cultivar mandioca, disse Bohbot. No Brasil, o processamento da cana sofreu atrasos devido às chuvas em um volume equivalente a cerca de 25 milhões de toneladas. As previsões de mais chuvas em setembro sugerem que 'o atraso atual pode, portanto, não ser recuperado e pode aumentar', afirmou.

A produção de açúcar do Brasil poderá cair de 3 a 5 milhões de toneladas este ano em relação à safra passada, caso as chuvas continuem em outubro e novembro. 'Os consumidores, em grande parte, perderam a alta e continuam com preços abaixo do valor de mercado, enquanto os produtores estão agora muito mais bem protegidos. Após o vencimento do contrato outubro, os fundos poderiam, portanto, ter um campo relativamente aberto para os próximos meses', disse Bohbot.

Um fator de baixa de menor importância para o mercado é a situação no Oriente Médio, segundo ele, devido a uma queda esperada no consumo de açúcar na região em meio à ação.

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