Economia

Maioria nos EUA apoia fiscalização de mídias sociais, diz pesquisa

ResumoPesquisa Reuters/Ipsos revela que três em cada cinco norte-americanos apoiam maior fiscalização das empresas de mídia social. O levantamento ocorre em meio à pressão jurídica sobre Meta e YouTube. A maioria dos entrevistados defende regras mais rígidas para plataformas digitais, refletindo preocupação com moderação de conteúdo e desinformação.

Pesquisa Reuters/Ipsos indica que três em cada cinco norte-americanos apoiam maior fiscalização das empresas de mídia social. O levantamento ocorre em meio à pressão jurídica sobre Meta e YouTube.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 10 de agosto de 2026
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Maioria nos EUA apoia fiscalização de mídias sociais, diz pesquisa Reuters/Ipsos

Três em cada cinco norte-americanos apoiam mais regulamentações governamentais sobre a forma como as empresas de mídia social conduzem seus negócios, incluindo a exigência de ferramentas de verificação de idade para impedir que crianças mais novas tenham acesso às redes sociais, de acordo com uma pesquisa da Reuters/Ipsos.

A pesquisa foi realizada durante os seis dias que terminaram em 3 de agosto. O levantamento ocorre em um momento em que empresas como a Meta e o YouTube, do Google, enfrentam pressão jurídica crescente em relação ao tratamento dado aos usuários jovens.

Apoio bipartidário à regulamentação

Cerca de 61% dos entrevistados afirmaram que as empresas de redes sociais precisam de uma supervisão mais rigorosa. O apoio é expressivo tanto entre democratas quanto entre republicanos.

  • Democratas: 71% apoiam maior fiscalização
  • Republicanos: 62% apoiam maior fiscalização
  • Independentes: apoio menor, com muitos dizendo não ter certeza de qual era sua posição

O apoio republicano é ligeiramente menor que o democrata, mas ainda representa uma maioria clara. Entre os independentes, a indefinição é o principal fator, o que sugere um espaço para convencimento.

Verificação de idade: 66% a favor

A pesquisa também revelou que 66% dos entrevistados apoiam leis que exijam que as empresas de redes sociais utilizem ferramentas de verificação de idade para impedir que crianças menores de 16 anos acessem suas plataformas.

O apoio foi maior entre os republicanos, com 74% apoiando a ideia, em comparação com 69% dos democratas. A diferença é pequena, mas mostra que a proteção de menores é uma pauta transversal.

Julgamento da Meta e multa no Novo México

Está previsto para quarta-feira o início de um julgamento sobre as alegações de promotores estaduais de que a Meta projetou seus produtos para criar dependência nos usuários jovens. A Meta, que nega as acusações, afirma que pode enfrentar multas de até US$ 1,4 trilhão caso os Estados vençam a ação.

Na semana passada, um tribunal estadual do Novo México ordenou, separadamente, que a Meta pagasse US$ 567 milhões a um fundo de saúde mental para adolescentes e alterasse o funcionamento de suas plataformas para jovens usuários, após concluir que a empresa é responsável por prejudicar o bem-estar das crianças.

O caso do Novo México é um marco: é a primeira vez que um tribunal estadual responsabiliza diretamente uma grande plataforma por danos à saúde mental de menores. A decisão pode servir de precedente para outras ações em curso.

Pressão sobre YouTube e outras plataformas

O YouTube, do Google, também enfrenta escrutínio crescente. Embora a pesquisa não detalhe ações específicas contra a plataforma, o contexto jurídico indica que nenhuma grande rede social está imune à pressão regulatória.

As empresas de tecnologia também estão sob crescente escrutínio por parte de parlamentares em todo os EUA devido ao seu impacto sobre os jovens. Mais de uma dúzia de estados aprovaram leis que regulamentam o acesso de menores às redes sociais, alegando que isso é necessário para reforçar sua segurança online.

NetChoice contesta leis de verificação de idade

A NetChoice, uma associação comercial apoiada por gigantes das redes sociais como Meta, TikTok e Snap, entrou com uma ação judicial para impedir leis que exigem que os aplicativos verifiquem a idade de seus usuários. A entidade argumenta que tais leis violam as garantias à liberdade de expressão.

O embate jurídico é direto: de um lado, estados que querem proteger menores; de outro, associações que veem risco à liberdade de expressão. O resultado dessas ações pode definir o futuro da regulação digital nos EUA.

O que isso significa para o mercado

Para investidores, a pesquisa Reuters/Ipsos sinaliza um ambiente regulatório mais rígido para o setor de tecnologia. A pressão sobre Meta e YouTube não é um evento isolado, mas parte de uma tendência que pode afetar receitas publicitárias e custos de conformidade.

O ciclo sempre vira: o que hoje é tolerância com autorregulação pode se tornar exigência de supervisão estatal. Quem investe em big tech precisa acompanhar de perto os desdobramentos jurídicos e legislativos.

A decisão do Novo México, a multa potencial de US$ 1,4 trilhão e as leis estaduais em mais de uma dúzia de estados formam um cenário de risco crescente. A verificação de idade, que tem apoio de 66% dos americanos, pode se tornar obrigatória em breve.

Perguntas Frequentes

Quem conduziu a pesquisa sobre fiscalização de mídias sociais?

A pesquisa foi conduzida pela Reuters/Ipsos, durante os seis dias que terminaram em 3 de agosto.

Qual é o percentual de apoio à maior fiscalização?

Cerca de 61% dos entrevistados apoiam maior supervisão das empresas de redes sociais, incluindo 71% dos democratas e 62% dos republicanos.

O que a pesquisa diz sobre verificação de idade?

66% apoiam leis que exijam verificação de idade para impedir que menores de 16 anos acessem plataformas. O apoio é maior entre republicanos (74%) do que entre democratas (69%).

Qual é a posição da NetChoice?

A NetChoice, associação apoiada por Meta, TikTok e Snap, entrou com ação judicial contra leis que exigem verificação de idade, argumentando violação à liberdade de expressão.

Qual foi a decisão do tribunal do Novo México?

Um tribunal estadual do Novo México ordenou que a Meta pagasse US$ 567 milhões a um fundo de saúde mental para adolescentes e alterasse o funcionamento de suas plataformas para jovens usuários.

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