Renan chama suspensão de 'ilegal' e atraso de 'problema técnico'
O candidato do Missão à presidência da república, Renan Santos, classificou como "ilegal" a decisão do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que suspendeu a participação dele em debates e vetou o uso de recursos do fundo eleitoral, nesta segunda-feira (31). A medida veio após a campanha utilizar perfis irregulares nas redes sociais para fazer campanha eleitoral.
Segundo Toffoli, o Missão só reportou a existência de 16 canais nas redes sociais doze dias após o registro da candidatura. A comunicação tardia violaria a legislação eleitoral e resoluções do tribunal, que exigem a informação dos perfis no momento do registro. O ministro também determinou o bloqueio de R$ 3,3 milhões do fundo eleitoral que estavam disponíveis à sigla.
Em vídeo divulgado, Renan chamou a demora para reportar os perfis de "problema técnico" e negou abuso de poder econômico. "Falar que minhas redes foram suspensas porque eu estou abusando do poder econômico por conta de um problema técnico que centenas de outros candidatos, quiçá milhares também tiveram durante o registro das candidaturas, chega a ser absurdo. Nenhuma candidatura deve ser suspensa assim", disse. O presidenciável afirmou que a decisão é "persecutória" e prometeu contestar a medida na Justiça.
Toffoli justificou que a omissão não pode ser tratada como simples irregularidade documental. Enquanto um perfil não é informado à Justiça Eleitoral, ele permanece sujeito aos mecanismos de recomendação das plataformas, benefício que as regras eleitorais procuram impedir para os canais oficiais de campanha. A medida também dificulta a fiscalização sobre conteúdos, impulsionamentos e gastos eleitorais.
Renan afirmou que não pode produzir ou postar conteúdo, participar de debates ou sabatinas. "Eu não uso fundo eleitoral, mas se eu estivesse usando, o dinheiro também teria sido suspenso", declarou. O candidato pediu que seguidores baixem e divulguem o vídeo, que seria uma das últimas publicações antes do apagamento de suas redes.
Anteriormente, Renan já havia negado ilicitudes no registro da candidatura, apontadas por Toffoli após divergência em contas destinadas à campanha eleitoral.