Reforma tributária na eleição: previsibilidade em risco com proposta de suspensão
A proposta do senador Flávio Bolsonaro de suspender a reforma tributária por um ano acirra o debate eleitoral e eleva a insegurança jurídica. Especialistas ouvidos pelo InfoMoney alertam para os riscos de investimentos e custos adicionais.
Reforma tributária na eleição: previsibilidade em risco com proposta de suspensão
A proposta do senador Flávio Bolsonaro (PL) de suspender por um ano a entrada em vigor da Reforma Tributária caso seja eleito presidente da República deixou o mercado em suspenso. O debate vai além do campo político, chegando ao jurídico e à contabilidade das empresas. A proposta de suspensão para rediscutir o modelo, sob o argumento de reduzir a carga tributária, evidencia um desafio recorrente: conciliar mudanças estruturais com estabilidade regulatória.
O que diz a proposta de Flávio Bolsonaro
O programa econômico em elaboração pela equipe do pré-candidato defende uma revisão do modelo aprovado pelo Congresso e a redução da carga tributária. A suspensão por um ano permitiria rediscutir exceções previstas no novo sistema.
É possível suspender a reforma tributária?
Na avaliação de tributaristas, uma eventual suspensão não é impossível do ponto de vista jurídico, mas exigiria uma nova Proposta de Emenda à Constituição (PEC), aprovada pelo Congresso Nacional, o que representa um processo complexo e politicamente desafiador. "A suspensão é juridicamente possível, mas depende de uma nova emenda constitucional aprovada pelo Congresso, o que torna sua aprovação difícil no prazo disponível, especialmente diante do calendário eleitoral", explica Thadeo Sobocinski Neto, sócio responsável pela área tributária do escritório Roveda & Marcelino Sociedade de Advogados.
Impacto nos investimentos das empresas
Parte significativa do setor produtivo já iniciou investimentos para adaptar softwares de gestão, sistemas fiscais, controles internos e processos operacionais às novas regras. O valor total da mudança pode chegar a R$ 3 trilhões até 2033, segundo estimativas da consultoria Omnitax. A Deloitte mostrou que 77% das empresas decidiram aumentar os investimentos em tecnologia para se adaptar à Reforma Tributária. Outro levantamento da Thomson Reuters indicou que 66% das empresas esperam ampliar investimentos em soluções de gestão tributária entre seis meses e dois anos.
Insegurança jurídica e previsibilidade
Os especialistas concordam que o maior patrimônio ameaçado é a previsibilidade. Após décadas de discussões, a reforma começou a ser implementada com cronograma conhecido. Uma mudança brusca poderia obrigar companhias a manter estruturas fiscais paralelas por mais tempo. "Empresas enfrentariam custos adicionais de adaptação e teriam de manter estruturas fiscais paralelas por mais tempo", afirma Sobocinski. "O pior cenário é não saber qual cronograma será efetivamente seguido. Isso amplia os litígios e dificulta o planejamento de empresas e contribuintes."
Efeitos para consumidores e mercado financeiro
Embora o impacto imediato sobre os consumidores seja considerado limitado, atrasos poderiam postergar benefícios como cashback para famílias de baixa renda e desoneração da cesta básica. Para a advogada Flávia Holanda Gaeta, sócia-fundadora do FH Advogados, uma eventual postergação não provocaria colapso jurídico porque os tributos atuais continuam em vigor. "É uma notícia que gera insegurança. E mesmo que o impacto para o consumidor seja pequeno neste primeiro momento, para as empresas e para o mercado a consequência maior é uma perda de confiança", acrescenta. Para investidores, a previsibilidade das regras é fator crucial em decisões de longo prazo.
Perguntas Frequentes
A suspensão da reforma tributária é juridicamente possível?
Sim, mas exigiria uma nova PEC aprovada pelo Congresso Nacional, processo complexo e desafiador politicamente.
Quanto as empresas já investiram na adaptação à reforma?
O valor total pode chegar a R$ 3 trilhões até 2033, segundo a Omnitax. 77% das empresas aumentaram investimentos em tecnologia, conforme a Deloitte.
Quais os riscos para os consumidores?
Atrasos podem postergar benefícios como cashback para famílias de baixa renda e desoneração da cesta básica, além de potencial repasse de custos administrativos aos preços.
Como o mercado financeiro reage a essa proposta?
Mudanças em reformas estruturais elevam a percepção de risco regulatório, afetando decisões de investimento de longo prazo de investidores nacionais e estrangeiros.
O que dizem os especialistas sobre o cenário?
Tributaristas alertam que o principal impacto é o aumento da insegurança jurídica, com empresas tendo que manter estruturas fiscais paralelas e enfrentar custos adicionais.