Economia

Redução da taxa de juros ainda é insuficiente, avaliam entidades

ResumoA redução da taxa Selic para 14% ao ano, quarto corte consecutivo, é avaliada por Firjan, CNI e Força Sindical como insuficiente. Juros reais próximos de 10% mantêm o crédito caro e atrasam investimentos industriais. Entidades reconhecem o movimento do Banco Central, mas cobram ritmo mais agressivo para destravar a economia.

O quarto corte consecutivo na Selic, para 14% ao ano, foi bem recebido, mas Firjan, CNI e Força Sindical avaliam que a redução ainda é insuficiente. Juros reais perto de 10% mantêm o crédito caro e atrasam investimentos na indústria.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 06 de agosto de 2026
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Redução da taxa de juros ainda é insuficiente, avaliam entidades

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira (5) a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. Foi o quarto corte consecutivo. A decisão, tomada em reunião na sede do BC, em Brasília, foi bem recebida por agentes econômicos, mas Firjan, CNI e Força Sindical avaliam que o movimento ainda é insuficiente e restritivo para a expansão do setor industrial.

O que diz a Firjan sobre o corte da Selic

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) afirmou, em nota, que a continuidade do ciclo de redução da Selic é um sinal positivo para a atividade econômica. Mas o nível ainda elevado da taxa mantém o crédito caro e atrasa investimentos.

"O elevado custo de capital posterga investimentos, dificulta a modernização produtiva e limita a capacidade das empresas brasileiras de ganhar produtividade e competir nos mercados interno e externo", disse a entidade. Esse quadro se reflete no desempenho da indústria de transformação, que cresceu apenas 0,4% no primeiro semestre do ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

CNI: juros restritivos há 55 meses

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lembrou que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses. A Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor, estimada em 10,4%. Essa regra permite calcular uma taxa de juros que controle a inflação sem desestimular o crescimento da economia.

"A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação", destacou a CNI.

Força Sindical: redução drástica era necessária

Entre as organizações de trabalhadores, a Força Sindical classificou como insuficiente a redução de 0,25 ponto percentual. Para a central sindical, juros elevados encarecem o crédito, reduzem investimentos, desestimulam o consumo e comprometem a geração de empregos.

"Perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo e alavancar mais a economia", disse a entidade, em nota.

O que o BC diz sobre o novo corte

Segundo o Banco Central, o novo ajuste gradual de menos 0,25 ponto é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta no próximo período. Sobre o ambiente externo, o BC voltou a apontar o cenário de indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas.

A Selic em 14% ao ano segue como referência para a economia brasileira. O patamar atual, embora menor, ainda é considerado restritivo pelas entidades.

Impacto no crédito e nos investimentos

O crédito caro afeta diretamente o consumidor e o empresário. Com juros altos, financiamentos e empréstimos ficam mais onerosos, o que reduz o consumo e desestimula novos projetos. A indústria de transformação, que cresceu só 0,4% no semestre, sente o peso desse custo.

Para quem busca crédito, o cenário exige cautela. Comparar taxas e prazos entre instituições financeiras é uma prática recomendada. A antecipação de recebíveis, por exemplo, pode ser uma alternativa, mas é preciso avaliar o custo efetivo total (CET) antes de contratar.

Perguntas Frequentes

Por que a redução da Selic é considerada insuficiente?

Porque, apesar do corte, a taxa real de juros, próxima de 10%, segue muito acima do equilíbrio estimado pelo BC, de 5%. Isso mantém o crédito caro e limita o crescimento da indústria.

O que é a Regra de Taylor?

É uma fórmula que calcula a taxa de juros adequada para controlar a inflação sem prejudicar o crescimento. Pela regra, a Selic deveria estar em 10,4%, mas está em 14%.

Como a Selic afeta o consumidor?

Juros altos encarecem financiamentos e cartões de crédito, reduzindo o poder de compra. Com a queda da Selic, o crédito tende a ficar mais barato, mas o efeito prático ainda é limitado.

O que pode acontecer com a Selic nos próximos meses?

As entidades defendem cortes mais expressivos. O BC, porém, adota um ajuste gradual, de 0,25 ponto, para garantir a convergência da inflação à meta.

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