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Recessão à frente? Alertas de CEO da Itaúsa para a economia

Recessão à frente? Os alertas de CEO da Itaúsa para a economia brasileira

O CEO da Itaúsa (ITSA4), holding que controla o Itaú (ITUB4), maior banco privado do país, fez uma série de alertas sobre a economia brasileira para o próximo ano. Em teleconferência de resultados da companhia na última quinta-feira, Alfredo Setubal deixou claro que o cenário será desafiador.

Resposta direta: A economia brasileira está desacelerando, com juros elevados e consumo fraco, segundo o CEO da Itaúsa. O ambiente é pouco propício aos negócios, e o próximo ano deve ser ainda mais desafiador, com possível aumento da inadimplência no Itaú e nas empresas da holding.

Por que o CEO da Itaúsa vê um ambiente pouco propício

Setubal foi direto ao descrever o momento: "A economia brasileira está crescendo devagar, com as taxas de juros bastante elevadas. É uma economia desacelerando do ponto de vista do consumo. Então, é um ambiente pouco propício, vamos dizer assim, aos negócios".

A fala ocorre em um momento de piora do sentimento em relação à economia brasileira. Na última terça-feira, o Ibovespa afundou mais de 2%, enquanto o JPMorgan cortou seu otimismo com o mercado brasileiro.

O peso do crédito e da inadimplência

Outra preocupação levantada pelo executivo é com o crédito. Aumentou a preocupação com os calotes das famílias, em meio à alta da inadimplência.

"Vemos o consumo reduzindo bastante em função do endividamento, que é muito alto. Apesar de todos os incentivos que o governo tem colocado na economia, que já neste primeiro semestre somam R$ 200 bilhões, não vemos a economia crescendo ou dando sinais de evolução muito significativa", diz Setubal.

O número de R$ 200 bilhões em incentivos é um dado concreto que mostra a dimensão do esforço fiscal, mas também a resistência da economia em reagir.

Eleições e o nervosismo do mercado

Setubal lembra ainda que o segundo semestre será marcado pelas eleições, que devem deixar o mercado ainda mais "nervoso". O pleito costuma mexer com as taxas de juros futuros, por exemplo.

"As eleições sempre são um fator de insegurança, tanto para os investidores como para os consumidores: quem ganha, se muda alguma coisa, se não muda", diz.

Até o momento, o mercado tem apostado na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A última pesquisa MDA apontou o petista com 48% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que soma 39,1%.

Inflação: queda lenta, mas pressão externa

Ainda segundo Setubal, a inflação tem caído lentamente por causa do consumo baixo. Ou seja, não há uma pressão inflacionária pelo consumo. Por outro lado, existe uma pressão sobre os preços de energia em razão da guerra no Irã, que afeta o petróleo e os preços da energia de modo geral.

"A inflação ainda está baixa para os padrões brasileiros, mas acima da banda de 4,5%, que é o topo da banda com a qual o Banco Central opera. Então, é um cenário, como vemos, desafiador", diz.

A referência à banda de 4,5% é importante para quem acompanha a política monetária: enquanto o IPCA ficar acima desse teto, o Banco Central tende a manter os juros elevados, o que pressiona o crédito e o consumo.

O que esperar para 2026

Para o executivo, esse cenário deve se manter não só neste segundo semestre, mas também no ano que vem. "O ano que vem promete uma economia ainda mais desacelerada, a princípio, pelos números que vemos hoje."

Segundo Setubal, pode haver algum aumento da inadimplência no Itaú e até entre os clientes das empresas da holding. A cautela é a palavra de ordem, mas o executivo vê a Itaúsa em posição confortável.

"É um cenário que exige muita cautela, mas acho que a Itaúsa tem um portfólio resiliente, bem gerido, com empresas que apresentam bons resultados. Então, vejo a nossa posição muito boa, mesmo nesse ambiente mais desafiador para os próximos meses."

Números do segundo trimestre da Itaúsa

A Itaúsa encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 4,3 bilhões, alta de 7% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado veio em linha com a tese de resiliência defendida por Setubal, mas não esconde o cenário macroeconômico adverso.

Impacto prático para o investidor

Para quem investe em renda variável, os alertas do CEO da Itaúsa funcionam como um sinal de cautela. A combinação de juros altos, consumo fraco e inadimplência crescente tende a pressionar os resultados de bancos e empresas ligadas ao consumo.

O Ibovespa já refletiu parte desse pessimismo na última terça-feira, com queda de mais de 2%. O corte de otimismo do JPMorgan reforça a leitura de que o curto prazo segue incerto.

O que observar nos próximos meses

  • Taxas de juros futuros: o período eleitoral costuma aumentar a volatilidade, e o mercado vai precificar cenários distintos conforme as pesquisas.
  • Inadimplência: os dados de calotes das famílias serão um termômetro para a saúde do crédito e para os balanços dos bancos.
  • Inflação: a pressão externa sobre energia pode manter o IPCA acima da banda do Banco Central, adiando cortes de juros.
  • Incentivos fiscais: o volume de R$ 200 bilhões já injetado não gerou resposta significativa da economia, o que levanta dúvidas sobre a eficácia das medidas.

Perguntas Frequentes

A economia brasileira vai entrar em recessão?

O CEO da Itaúsa, Alfredo Setubal, alertou que o próximo ano será desafiador, com economia ainda mais desacelerada. Ele não usou o termo recessão, mas o cenário descrito é de baixo crescimento, juros altos e consumo fraco.

O que é a Itaúsa?

Itaúsa é a holding que controla o Itaú, maior banco privado do país. A companhia também possui participações em outras empresas e reporta resultados trimestrais.

Quais os principais riscos para a economia em 2026?

Os principais riscos citados por Setubal são: juros elevados, endividamento alto das famílias, inadimplência crescente e o impacto das eleições no mercado. Há também pressão sobre preços de energia por causa da guerra no Irã.

O que o investidor deve fazer diante desse cenário?

O executivo recomenda cautela, mas vê a Itaúsa com portfólio resiliente. Para o investidor, a dica é acompanhar de perto os indicadores de inadimplência, juros futuros e inflação, além de diversificar a carteira.

Qual foi o lucro da Itaúsa no segundo trimestre?

A Itaúsa encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 4,3 bilhões, alta de 7% em relação ao mesmo período do ano passado.

Bianca Solano
Repórter de finanças pessoais
Repórter de finanças pessoais.
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