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Ray-Ban: briga de família pode desmontar império de € 40 bi

Ray-Ban: a briga de família que pode desmontar um império de € 40 bi

A disputa entre os herdeiros de Leonardo Del Vecchio, fundador da EssilorLuxottica, dona da Ray-Ban, pode desmontar um império avaliado em € 40 bilhões. Quatro anos após a morte do magnata, a holding familiar Delfin Sarl enfrenta uma crise de governança que ameaça a estabilidade de um dos maiores grupos de óculos do mundo.

O que está em jogo na holding Delfin?

A Delfin Sarl é a maior acionista tanto da EssilorLuxottica quanto do Banca Monte dei Paschi di Siena SpA, o banco mais antigo do mundo. A holding concentra participações que somam cerca de € 16 bilhões em ativos financeiros, incluindo a seguradora Assicurazioni Generali SpA e investimentos no Unicredit SpA. A briga entre os herdeiros aumenta o risco de uma separação conturbada desses ativos.

A proposta de compra que fracassou

Leonardo Maria Del Vecchio, filho do fundador, ofereceu-se para comprar a participação de dois irmãos, Luca e Paola, num plano de € 10 bilhões. A proposta daria a ele 37,5% da Delfin e foi aprovada em votação familiar em abril. Mas a queda nas ações da EssilorLuxottica, dona da Ray-Ban e parceira da Meta em óculos inteligentes, complicou o financiamento.

As ações caíram 49% desde a máxima de novembro, reduzindo o valor do maior ativo da família em € 23,4 bilhões. Leonardo Maria tentou incluir € 1 bilhão de sua dívida no pacote, mas o conselho dividido da Delfin não garantiu a transação.

O que pode acontecer com o império?

Uma alternativa em negociação é separar a participação em óculos das ações bancárias e de seguros, que poderiam ser vendidas. A proposta partiu de Rocco Basilico, meio-irmão de Leonardo Maria, mas há resistência interna enquanto o setor bancário italiano passa por consolidação.

A família procura um consultor externo para mediar o acordo. Segundo Roberta Crivellaro, sócia-diretora do escritório Withers na Itália, uma solução seria a Delfin recomprar as participações de quem quer sair.

Como a estrutura criada por Del Vecchio complica a saída

Leonardo Del Vecchio fundou a Luxottica em 1961 e a fundiu com a francesa Essilor em 2018. Seu testamento deu 12,5% da Delfin a cada um dos oito herdeiros, incluindo a viúva Nicoletta Zampillo, mas nenhum ficou no comando. Francesco Milleri tornou-se presidente da EssilorLuxottica e da Delfin, com Romolo Bardin como CEO da holding.

A exigência de quase unanimidade em decisões importantes criou um obstáculo. Como resume Alessandro Minichilli, professor da Universidade Bocconi: "Poder de decisão igual em uma empresa pode facilmente se transformar em poder de veto."

Os números que explicam a crise

  • Ações da EssilorLuxottica caíram 49% desde novembro
  • Redução de € 23,4 bilhões no valor de mercado
  • Delfin tem cerca de € 16 bilhões em participações financeiras
  • Lucro da Delfin no ano passado: € 1,5 bilhão
  • Limite de dividendos: 10% do lucro

O que dizem os analistas sobre o futuro

Apesar da crise, a EssilorLuxottica protege margens com o aumento dos óculos inteligentes. Os óculos Meta de menor preço, lançados em junho, ajudaram a empresa a manter vantagem contra Apple e Alphabet. "A empresa está relativamente bem posicionada, pois ainda mantém uma vantagem de pioneirismo", disse Margherita Strazzari, da Sempione SIM.

A discórdia familiar, no entanto, pesa no desempenho das ações. A saga dos Del Vecchio se junta a outras disputas de herança na elite industrial italiana, como a de John Elkann com sua mãe, Margherita Agnelli.

Perguntas Frequentes

Quem é o dono da Ray-Ban?

A Ray-Ban pertence à EssilorLuxottica, grupo criado pela fusão da italiana Luxottica com a francesa Essilor em 2018. A holding familiar Delfin é a maior acionista.

O que é a Delfin Sarl?

É a holding familiar que controla as participações dos herdeiros de Leonardo Del Vecchio na EssilorLuxottica e em bancos como o Monte dei Paschi.

Por que as ações da EssilorLuxottica caíram?

As ações caíram 49% desde novembro, após vendas abaixo das estimativas e o fim do otimismo com os óculos de IA. A queda reduziu o valor dos ativos da família.

O que pode acontecer com o império de Del Vecchio?

A família pode separar a participação em óculos das ações financeiras, vendendo parte dos ativos para levantar dinheiro. Um consultor externo deve ser contratado para mediar.

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Caetano Vidal
Analista de criptoativos
Analista de criptoativos.
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