Eleições 2026: Flávio Bolsonaro e Lula polarizam, terceira via sem força
Pesquisa BTG/Nexus mostra Flávio Bolsonaro a 1 ponto de Lula no 2º turno. Analistas da Empiricus avaliam que a terceira via segue sem tração e que São Paulo será decisivo.
Radar das Eleições: Flávio Bolsonaro estanca queda e reforça polarização com Lula, enquanto terceira via segue sem tração
O senador Flávio Bolsonaro (PL) reduziu a distância para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última rodada da pesquisa BTG Pactual/Nexus. O levantamento mostra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro apenas 1 ponto percentual atrás de Lula em um cenário de segundo turno. O tema foi debatido no segundo episódio do Radar das Eleições, podcast do Money Times.
Flávio Bolsonaro estanca queda e volta a ganhar força
O economista e analista da Empiricus Matheus Spiess, convidado do programa, avaliou que, apesar das crises enfrentadas pelo senador nos últimos meses, sua candidatura conseguiu interromper a perda de apoio. "Na ausência de uma crise nova, ele consegue estancar a sangria. Isso não significa que tenha resolvido os problemas da campanha, mas voltou a ganhar um pouco de tração", afirmou.
Para Spiess, a elevada rejeição de Lula também contribui para manter o adversário competitivo. O jornalista Gustavo Porto destacou que Flávio Bolsonaro permaneceu no centro do noticiário durante toda a pré-campanha, fenômeno semelhante ao vivido por Jair Bolsonaro em 2022. "O Flávio Bolsonaro nunca saiu do noticiário. É bom lembrar que o pai dele quase foi reeleito presidente da República diante de muita notícia negativa", observou.
Lula enfrenta desgaste natural após décadas no poder
Na avaliação de Spiess, a principal dificuldade de Lula decorre de um desgaste natural após décadas ocupando posição central na política brasileira. "O modelo de gestão econômica lulopetista encontrou seus limites. Hoje ele gira a mesma maquininha de crédito subsidiado e programas sociais, mas o crescimento é menor e desacelera", afirmou.
Segundo ele, a população sente os efeitos da perda de poder de compra e da baixa produtividade da economia, ainda que não associe diretamente esses fatores às políticas públicas. O economista argumentou que medidas de curto prazo, como ampliação do crédito subsidiado, não atacam os problemas estruturais. "Você quer resolver produtividade? Vai precisar de cinco a 10 anos. Não existe solução rápida. O que vemos são remendos e puxadinhos, tanto da direita quanto da esquerda", disse.
Terceira via: possível, mas pouco provável
Sobre nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) se tornarem uma terceira via competitiva, Spiess afirmou considerar possível, mas pouco provável, uma mudança no quadro eleitoral. "O cenário-base continua sendo um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro", afirmou.
Segundo ele, lulismo e bolsonarismo perderam força ao longo dos anos, mas ainda preservam bases eleitorais sólidas para dificultar o avanço de candidaturas alternativas.
São Paulo será decisivo na eleição presidencial
O programa destacou que São Paulo tende a desempenhar papel decisivo, repetindo o protagonismo de 2022. "Lula concentrou muito esforço em São Paulo justamente para manter essa mobilização. É o maior colégio eleitoral do país", afirmou Porto. Spiess concordou e acrescentou que o eleitor moderado paulista deverá ser um dos principais alvos da campanha de Flávio Bolsonaro.
Segundo os debatedores, a estratégia do senador tem sido suavizar a própria imagem para dialogar com o eleitor de centro, especialmente o público feminino, sem perder o apoio da base bolsonarista.
Falta de coligação ampla e neutralidade do Centrão
Outro ponto discutido foi a incapacidade de Flávio Bolsonaro de formar uma ampla coligação de centro-direita, apesar de aparecer competitivo nas pesquisas. A neutralidade de partidos como União Progressista e Republicanos retirou da campanha nomes considerados fortes para a vice-presidência, como Tereza Cristina e Daniella Marques, além de reduzir o tempo de propaganda eleitoral na TV e no rádio.
Spiess considerou "estranho" que uma candidatura competitiva ainda não tenha atraído o apoio das principais legendas do Centrão. Ele levantou a hipótese de que esses partidos prefiram preservar espaço político no Congresso independentemente do resultado presidencial.
Mercado financeiro já precificou cenário eleitoral
Na reta final, Spiess avaliou que o mercado financeiro já precificou boa parte do cenário eleitoral. Episódios como o chamado "trade Tarcísio", a recuperação da candidatura de Flávio Bolsonaro e mudanças nas expectativas fiscais já provocaram movimentos relevantes na Bolsa, no câmbio e nos juros. "O mercado antecipou muito esse debate. Hoje o principal canal de transmissão continua sendo a percepção fiscal", afirmou, acrescentando que investidores aguardam propostas concretas de ajuste das contas públicas.
Perguntas Frequentes
Flávio Bolsonaro está à frente de Lula nas pesquisas?
Não. Na última rodada da pesquisa BTG Pactual/Nexus, Flávio Bolsonaro aparece 1 ponto percentual atrás de Lula em cenário de segundo turno.
Quem são os nomes da terceira via citados no Radar das Eleições?
Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) foram citados como possíveis candidatos, mas analistas consideram pouco provável uma mudança no quadro eleitoral.
Qual o papel de São Paulo na eleição presidencial?
Segundo os debatedores, São Paulo tende a ser decisivo, pois é o maior colégio eleitoral do país e concentra esforços das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro.
Por que Flávio Bolsonaro não formou uma coligação ampla?
A neutralidade de partidos como União Progressista e Republicanos retirou nomes fortes para a vice-presidência, como Tereza Cristina e Daniella Marques, e reduziu o tempo de propaganda eleitoral.
Como o mercado financeiro reage ao cenário eleitoral?
Segundo Matheus Spiess, o mercado já precificou boa parte do cenário, com movimentos na Bolsa, no câmbio e nos juros, e o principal canal de transmissão é a percepção fiscal.