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Augusto Cury: Sustentação Após Disparada nas Pesquisas

Augusto Cury (Avante) saltou de 2% para 11% das intenções de voto em apenas uma semana, segundo a pesquisa BTG Pactual/Nexus, e mudou o cenário do primeiro turno da eleição presidencial de 2026. A dúvida agora é se o candidato conseguirá sustentar o crescimento nas próximas semanas. A análise foi um dos principais pontos da edição desta semana do Radar das Eleições, podcast do Money Times, com participação de Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.

A resposta direta: Cury saiu de 2% para 11% em uma semana na pesquisa BTG Pactual/Nexus. O movimento foi captado também pelos levantamentos da AtlasIntel/Bloomberg, Real Time Big Data e Quaest. No agregador do Money Times, que reúne nove institutos e considera a média ponderada dos cinco levantamentos mais recentes, ele aparece na terceira colocação, com 8,4%.

A ascensão, porém, ainda não permite concluir que Cury tenha consolidado uma posição de terceira via. Para Tokarski, é preciso esperar os próximos levantamentos para verificar se os votos conquistados representam migração permanente ou apenas um movimento momentâneo de um eleitorado insatisfeito. "Ele conquistou, ao menos por enquanto, o voto de um eleitor que não estava animado com os candidatos apresentados", afirmou.

Segundo o CEO da Nexus, seis dos nove pontos percentuais conquistados por Cury na pesquisa BTG Pactual/Nexus vieram de eleitores que anteriormente declaravam voto em Lula ou Flávio Bolsonaro. O movimento indica que o candidato ocupou um espaço de rejeição à polarização entre os dois principais nomes da corrida presidencial.

Próximas pesquisas e cenários

A próxima rodada de pesquisas BTG Pactual/Nexus terá importância especial para medir a força da candidatura. Permanecer próximo aos 11% já seria um sinal de resistência do fenômeno. Um avanço para 14% ou 15%, por outro lado, daria ao candidato musculatura eleitoral significativamente maior e poderia consolidá-lo como alternativa efetiva a Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno.

"É cedo para saber se essa intenção de voto se consolidará nas próximas pesquisas e se Cury terá fôlego para se transformar na terceira via das eleições 2026", afirmou Tokarski. A cautela é necessária porque o salto ocorreu em período muito curto. Cury passou de um candidato praticamente fora do radar para um nome discutido por adversários, analistas e eleitores.

Perfil e redes sociais

Para Tokarski, uma das explicações para o crescimento está no perfil do candidato. Diferentemente de outros nomes que tentaram ocupar o espaço da terceira via, Cury apresenta postura mais moderada e menos confrontadora. "Ele é um outsider mais palatável para o eleitor do que o Renan Santos, por exemplo, que é um outsider mais ruidoso, tem uma postura mais briguenta. Cury é mais calmo e mais sereno para falar", afirmou.

Outro componente foi a presença nas redes sociais. O candidato ganhou milhões de seguidores em curto período e passou a ser impulsionado por influenciadores, principalmente entre eleitores mais jovens. Mas ganhar seguidores não significa necessariamente conquistar votos, como ocorreu com outros candidatos. Se continuar crescendo, Cury poderá retirar votos não apenas dos dois líderes, mas também de nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos.

A mudança de patamar já produz efeitos na campanha: a chegada aos dois dígitos transforma Cury em alvo político. "Ele deixou de ser um candidato nanico, aquele que tinha 2%, 3% que ninguém queria nem saber o que ele estava propondo. Ele passou o agregado dos outros candidatos que somam 10% dos votos", observou Tokarski. O eleitor que migrou para Cury no primeiro turno não necessariamente abandonou Lula ou Flávio Bolsonaro como opções para uma eventual segunda etapa: ambos seguem empatados tecnicamente na pesquisa e em outros levantamentos.

Caetano Vidal
Analista de criptoativos
Analista de criptoativos.
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