Lula x Flávio: marqueteiro aposta em reeleição "no fio de cabelo"
Se dependesse do palpite do jornalista e especialista em marketing político Luiz Flávio Lula Guimarães, a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estaria garantida. Mas sem folga. "Se eu fosse fazer uma aposta hoje, eu apostaria no presidente Lula, na reeleição dele. Claro que isso pode mudar, que é muito arriscado poder falar isso hoje, e esse palpite é por um cabelinho a vitória, mas é o que os números mostram", afirmou durante edição especial que reuniu o Mapa de Risco e o Stock Pickers, ambos do InfoMoney.
A vantagem de Lula, segundo Guimarães, vem da estrutura de quem disputa a reeleição e da movimentação dos partidos em Brasília. Pesquisa citada no programa mostra o petista com 37% contra 30% do candidato do PL no primeiro turno. Do outro lado, Flávio enfrenta dificuldades para ampliar alianças: a candidatura não atraiu o Centrão e começou sem a capilaridade que esses partidos dariam nos estados. "A candidatura do Flávio Bolsonaro foi abandonada pelo Centrão", resumiu.
O segundo turno, porém, é o ponto de atenção. Eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) ou Renan Santos (Missão) podem migrar para Flávio numa disputa direta, concentrando a direita. "Hoje é mais possível precificar a vitória do presidente Lula, mas não dá para desprezar no segundo turno dois fatores: as alianças políticas e o poder da máquina", disse. Por isso, a campanha de Lula busca ampliar a vantagem já no primeiro turno e reduzir a rejeição, movimento que ajuda a explicar o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta, e a aproximação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
A máquina pública pesa, lembra Guimarães. Jair Bolsonaro usou o Auxílio Brasil em 2022 e mesmo assim perdeu por margem estreita. Agora, Lula é o incumbente. Outro fator: após o primeiro turno, deputados, senadores e governadores deixam de atuar diretamente nas campanhas presidenciais. Em São Paulo, se Tarcísio de Freitas vencer já no primeiro turno, sua atuação pró-Flávio tende a ser mais relaxada, sem a "dobradinha" de quem ainda disputa votos. "O poder da máquina ainda é muito grande", afirmou. O Mapa de Risco vai ao ar às sextas, 6h, no YouTube e nos tocadores de podcast.