Quaest: direita se reorganiza e impulsiona reação de Flávio
Quaest: reorganização da direita impulsiona reação de Flávio, diz Felipe Nunes
A recuperação de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas eleitorais reflete uma reorganização do campo da direita, enquanto as políticas que impulsionaram a recuperação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começam a perder capacidade de produzir novos ganhos políticos. Essa é a avaliação de Felipe Nunes, CEO da Quaest, ao analisar os resultados da pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (5).
O que diz a pesquisa Genial/Quaest sobre o 1º turno?
Os números mostram uma disputa mais apertada em relação ao levantamento de julho. No primeiro turno, Lula oscilou de 40% para 39%, enquanto Flávio passou de 28% para 30%. Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) aparecem com 4% cada, Romeu Zema (Novo) tem 2%, e os indecisos somam 10%.
Como ficou o cenário no 2º turno?
No segundo turno, Lula passou de 45% para 44%, enquanto Flávio subiu de 37% para 39%. A vantagem do presidente caiu de oito para cinco pontos percentuais.
Por que Flávio está reagindo? A leitura de Felipe Nunes
Para Felipe Nunes, a principal explicação está na recomposição do eleitorado de direita.
"O que explica essa recuperação? Minha leitura é que a direita se reorganiza e o eleitor anti-PT voltou a considerar Flávio."
A pesquisa mostra que, em um eventual segundo turno, Flávio ampliou seu apoio entre eleitores de direita que não se identificam como bolsonaristas, passando de 74% para 81%. Entre bolsonaristas, o índice subiu de 91% para 95%.
Potencial eleitoral e rejeição
Além da melhora na intenção de voto, o senador também avançou em outros indicadores. Seu potencial eleitoral passou de 38% para 41%, enquanto a rejeição caiu de 57% para 54%. Também aumentou o percentual de eleitores que afirmam ter voto definitivo em Flávio, de 62% para 68%.
"Flávio recuperou intenção de voto, aceitabilidade e convicção", resume o cientista político.
O papel da reconciliação com Michelle Bolsonaro
Segundo Nunes, a primeira peça desse movimento foi a reconciliação pública entre Flávio e Michelle Bolsonaro. A pesquisa mostra que 59% dos entrevistados consideraram positiva a reaproximação. Entre eleitores da direita não bolsonarista, esse percentual chega a 88%. No eleitorado bolsonarista, alcança 90%.
Também cresceu a percepção de que Michelle pode influenciar diretamente o resultado da eleição. Hoje, 46% acreditam que o apoio da ex-primeira-dama aumenta as chances de vitória de Flávio, ante 38% na pesquisa anterior.
Entre bolsonaristas, essa percepção saltou de 45% para 79%. Na direita não bolsonarista, passou de 53% para 70%.
O efeito da decisão do STF sobre as visitas
Na avaliação do CEO da Quaest, outro fator relevante foi a repercussão da decisão do Supremo Tribunal Federal que proibiu Flávio de visitar Jair Bolsonaro. Segundo a pesquisa, 52% dos brasileiros consideram que a decisão foi errada, enquanto 41% a classificam como correta.
A percepção de exagero é ainda maior entre segmentos decisivos para a candidatura do senador: 92% entre bolsonaristas, 83% entre eleitores da direita não bolsonarista e 50% entre independentes.
"A reconciliação reduziu a divisão e a restrição judicial reativou a percepção de exagero institucional. Esse movimento explica melhor a recuperação do que a fala sobre urnas", afirmou Nunes.
Segundo ele, o discurso de Flávio sobre o sistema eleitoral teve efeito limitado. Para 26% dos entrevistados, as declarações diminuem a chance de votar no senador, enquanto apenas 15% afirmam que aumentam sua disposição de apoiá-lo.
Por que Lula perdeu fôlego? O efeito marginal dos programas
Ao mesmo tempo em que Flávio reorganizou sua base, os programas que vinham ajudando Lula deixaram de produzir o mesmo impacto político. No caso do Desenrola 2.0, caiu de 55% para 47% o percentual dos brasileiros que classificam o programa como uma boa ideia. O número de pessoas que afirmam ter sido beneficiadas também recuou, de 12% para 10%.
Entre os beneficiários, diminuiu a percepção de melhora significativa da renda. O índice caiu de 35% para 26%.
A tendência também aparece na política de ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. O percentual de entrevistados que afirmam ter sido beneficiados passou de 32% para 30%. Entre eles, aumentou de 39% para 46% a parcela que diz não ter percebido mudança na renda familiar. Já os que afirmam ter sentido aumento significativo caíram de 24% para 21%.
"Os programas não deixaram de ajudar. O que parece ter diminuído é seu efeito marginal: o ganho político adicional que produzem ao longo do tempo", afirmou Felipe Nunes.
Segundo ele, essa estabilização ajuda a explicar por que os índices de aprovação e desaprovação do governo praticamente não se alteraram. A aprovação permaneceu em 48%, enquanto a desaprovação ficou em 47%.
O impacto do tarifaço dos EUA na avaliação do governo
Outro fator que, segundo o CEO da Quaest, começou a pesar contra o governo é o desgaste da resposta brasileira ao novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
Em julho, 39% avaliavam positivamente a reação de Lula e 36% a consideravam ruim. Agora, 43% afirmam que o governo reagiu mal, enquanto 38% avaliam positivamente a condução do episódio.
A mudança também aparece na disputa simbólica sobre quem melhor defende os interesses do Brasil. Em julho, Lula liderava esse quesito por 51% a 34%. Na nova pesquisa, a vantagem caiu para oito pontos: 46% a 38%.
O que esperar da disputa até outubro?
Na avaliação de Felipe Nunes, a combinação desses fatores ajuda a explicar uma pesquisa que mostra menos mudanças na aprovação do governo e mais alterações na dinâmica eleitoral. Enquanto Lula preserva a liderança, Flávio conseguiu recuperar parte do eleitorado que havia perdido nos últimos meses e recolocou a disputa em um cenário mais competitivo.
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 eleitores entre 31 de julho e 3 de agosto. As entrevistas foram realizadas presencialmente. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06591/2026.
Perguntas Frequentes
O que é a pesquisa Genial/Quaest?
É um levantamento eleitoral encomendado pela Genial Investimentos e realizado pela Quaest, que ouviu 2.004 eleitores presencialmente entre 31 de julho e 3 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Quem é Felipe Nunes?
Felipe Nunes é o CEO da Quaest, a empresa responsável pela pesquisa. Ele é quem analisa os números e explica as tendências do eleitorado.
Qual a principal explicação para a reação de Flávio na pesquisa?
Segundo Felipe Nunes, a direita se reorganiza e o eleitor anti-PT voltou a considerar Flávio. A reconciliação com Michelle e a percepção de exagero na decisão do STF também ajudaram.
Lula ainda lidera as intenções de voto?
Sim, Lula lidera tanto no 1º turno (39% contra 30%) quanto no 2º turno (44% contra 39%), mas a vantagem caiu de oito para cinco pontos percentuais.
O que mudou na avaliação dos programas do governo?
Programas como Desenrola 2.0 e a isenção do Imposto de Renda perderam capacidade de gerar novos ganhos políticos. O efeito marginal diminuiu, segundo Felipe Nunes.