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PT convoca reunião sobre crise no STF e campanha de Lula

A crise institucional no Supremo Tribunal Federal e as pesquisas de intenção de voto que apontam empate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) levaram o PT a convocar uma reunião da executiva do partido para esta quinta-feira. O encontro foi chamado pelo presidente da sigla, Edinho Silva, que também coordena a campanha presidencial, e acontece na sede do partido em Brasília.

O que mudou: a campanha de Lula entra numa fase de realinhamento. Petistas e integrantes da campanha criticam a condução atual e pedem um freio de arrumação na estratégia para o presidente chegar ao quarto mandato. As queixas recaem principalmente sobre Edinho, acusado de adotar postura centralizadora e de ter tocado a campanha sozinho, sem ouvir aliados dentro e fora do PT.

Como reflexo da insatisfação, muitos membros da executiva que disputam eleições nos estados não viajaram a Brasília para atender à convocação. Críticos apontam que Edinho sumiu de Brasília para cuidar da própria campanha a deputado federal por São Paulo e que, pela primeira vez, membros de outras correntes partidárias não foram chamados para ajudar na campanha presidencial.

Mesmo os críticos reconhecem que Edinho foi importante nas costuras para evitar que partidos do Centrão ficassem neutros na disputa. A avaliação interna, porém, é que ele precisa ouvir mais dirigentes para afinar o discurso de Lula.

Estão presentes nomes como o ministro José Guimarães (PT-CE), a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS). Ao deixar o local, Guimarães afirmou que a campanha precisa seguir uma linha de radicalismo e enfrentamento. A senadora Teresa Leitão disse que a linha é dar um gás na campanha, com mobilização no domingo, e mostrar o risco que o Brasil corre com a volta do outro lado ao poder.

Lula teme que a crise do STF traga efeito eleitoral direto para sua campanha e tem dito a interlocutores que a sociedade perde com o Judiciário sob suspeita. O cenário também toma o debate nacional e deixa de lado temas que o petista queria explorar, como a PEC do fim da jornada 6x1. O presidente conversou nos últimos dias com ministros do Supremo para buscar uma saída para a crise.

Mais cedo, a equipe jurídica da campanha se reuniu com integrantes da coordenação. Aliados reconhecem morosidade e falam em maior engajamento com a militância. Há problemas com a distribuição de materiais de campanha, atribuídos por um integrante da coordenação à demora na liberação de recursos do fundo eleitoral. Está prevista ainda uma reunião com centrais sindicais e movimentos sociais em São Paulo na tarde desta sexta-feira. Segundo Miguel Torres, presidente da Força Sindical, o encontro já tinha sido marcado há cerca de dez dias, mas ganhou maior importância agora.

Caetano Vidal
Analista de criptoativos
Analista de criptoativos.
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