Produção industrial no Brasil cai 1,8% em junho, acima do esperado
Produção industrial no Brasil cai mais que o esperado em junho
A indústria brasileira registrou em junho retração bem maior do que o esperado. A produção caiu 1,8% em relação a maio, segundo dados divulgados nesta terça-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o segundo mês consecutivo de perdas, encerrando o segundo trimestre depois de mostrar fôlego nos primeiros meses do ano.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve alta de 1,7% na produção. Os resultados ficaram bem aquém das expectativas em pesquisa da Reuters com analistas, que previam retração de 0,8% no mês e alta de 3,0% na base anual.
O que explica a queda da indústria em junho?
A indústria iniciou o ano com resultados positivos, mostrando resiliência diante principalmente de bons desempenhos da indústria extrativa e de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis.
Mas analistas avaliam que o setor agora pode mostrar desaceleração sob os impactos da política monetária restritiva, com a taxa Selic em patamar elevado, atualmente em 14,25%. O Banco Central anuncia na quarta sua decisão de política monetária, com expectativas de corte de 0,25 ponto percentual nos juros.
Setores que mais pesaram na produção industrial
Em junho, a principal influência negativa foi da produção de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com recuo de 5,9%. O grupo marcou assim o segundo mês seguido de queda na produção, acumulando no período perda de 11,8%.
Também pesaram de forma negativa:
- Produtos químicos (-4,3%)
- Produtos alimentícios (-1,9%)
- Produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-11,0%)
- Confecção de artigos do vestuário e acessórios (-11,0%)
- Equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-8,9%)
Grandes categorias econômicas: o que caiu e o que resistiu
Entre as grandes categorias econômicas, a produção de bens de consumo semi e não duráveis caiu 4,1% em junho sobre maio, enquanto a de bens de consumo duráveis recuou 3,2%. Os setores produtores de bens de capital e de bens intermediários tiveram quedas de 1,1% cada.
O que esperar da indústria no segundo semestre?
A leitura dos analistas é de que o setor pode enfrentar um ritmo mais fraco nos próximos meses. A política monetária restritiva, com a Selic em 14,25%, tende a pressionar a demanda e os investimentos. A decisão do Banco Central na quarta-feira será observada de perto, com expectativa de corte de 0,25 ponto percentual.
A queda de junho, embora forte, vem depois de um início de ano positivo. Resta saber se o movimento de desaceleração se aprofunda ou se é apenas um ajuste pontual.
Perguntas Frequentes
A produção industrial no Brasil caiu em junho?
Sim, a produção industrial caiu 1,8% em junho na comparação com maio, segundo o IBGE. Foi o segundo mês consecutivo de queda.
Qual foi a expectativa dos analistas para junho?
A pesquisa da Reuters com analistas previa retração de 0,8% no mês e alta de 3,0% na base anual. O resultado veio bem abaixo: queda de 1,8% e alta de 1,7%, respectivamente.
Quais setores puxaram a queda da indústria?
O grupo de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis teve recuo de 5,9%. Também caíram produtos químicos, alimentícios, farmoquímicos, vestuário e equipamentos de informática.
Qual é a taxa Selic atual?
A taxa Selic está em 14,25%, patamar elevado que, segundo analistas, pode pressionar a atividade industrial.
O que o Banco Central pode decidir?
O Banco Central anuncia na quarta sua decisão de política monetária, com expectativas de corte de 0,25 ponto percentual nos juros.