Economia

Preço agrícola competitivo do Brasil deve incitar barreiras externas, diz Abag

ResumoA Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) prevê que o preço competitivo da produção agrícola brasileira e a busca por soberania alimentar devem intensificar barreiras internacionais contra o País. O presidente da Abag, Ingo Plöger, apresentou a avaliação no 15º Congresso Andav, destacando riscos de protecionismo externo diante da vantagem de custo do Brasil.

O preço competitivo da produção agrícola brasileira e a busca por soberania alimentar devem intensificar barreiras internacionais contra o País, avalia o presidente da Abag, Ingo Plöger, no 15º Congresso Andav.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 12 de agosto de 2026
Preço agrícola competitivo do Brasil deve incitar barreiras

Preço agrícola competitivo do Brasil deve incitar barreiras externas, diz presidente da Abag

O preço competitivo da produção agrícola brasileira e a busca por soberania alimentar tendem a intensificar as barreiras internacionais contra o País. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Ingo Plöger, em apresentação no 15º Congresso Andav, em São Paulo, nesta terça-feira (11).

Em um cenário de geopolítica de abundância, cada país prioriza a própria segurança alimentar. "Muitos reclamam do Brasil não por causa do volume, mas por causa do nosso preço competitivo. E isso só vai aumentar", afirmou Plöger durante o evento.

Por que o preço competitivo do agro brasileiro atrai barreiras externas

A lógica é direta: quando um produtor oferece alimento de qualidade a preço menor, compradores internacionais têm incentivo para proteger seus mercados domésticos. O executivo da Abag aponta que o viés protecionista tende a crescer na mesma proporção da competitividade brasileira.

O volume de alimentos negociado globalmente é baixo em relação à demanda. Isso torna cada exportação brasileira mais visível e, por consequência, mais suscetível a medidas restritivas. A reclamação externa não se concentra na quantidade, mas no custo que o Brasil consegue praticar.

Abag descarta 'Opep da comida' para produtores de alimentos

Diante desse cenário, Plöger descartou propostas de criação de uma aliança de países produtores de alimentos ao estilo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). A comparação parece óbvia, mas o executivo explica por que não funciona.

"A concentração de oferta na Opep é muito grande. Como o volume de exportação alimentar no mundo é baixo, essa 'Opep da comida' não vai dar certo", disse.

A diferença estrutural é clara: petróleo tem oferta concentrada em poucos países com capacidade de influenciar preço global. Alimentos, por outro lado, têm produção dispersa e volume comercializado reduzido, o que inviabiliza qualquer coordenação de oferta em escala relevante.

Agronomia tropical: o trunfo brasileiro na produção agrícola

Plöger ressaltou que o trunfo brasileiro permanece na agronomia tropical e na capacidade de realizar até três safras por ano com alto aproveitamento fotossintético. Essa eficiência aproxima a produção no campo da lógica industrial just in time.

A combinação de clima favorável, tecnologia tropical e múltiplas safras anuais dá ao Brasil uma vantagem competitiva difícil de replicar. É essa vantagem que, paradoxalmente, alimenta o protecionismo externo.

O executivo vê a integração entre indústria e agro como um caminho sem volta. "A indústria e o agro estão intimamente ligados. Por causa dessa dinâmica, os distribuidores do futuro serão distribuidores de ideias, de tecnologia e de recomendações diferenciadas", disse.

O que muda para o produtor e para o agronegócio brasileiro

A avaliação de Plöger sinaliza um horizonte de maior pressão comercial para o setor. Quem exporta precisa se preparar para um ambiente com mais barreiras sanitárias, fitossanitárias e tarifárias, ainda que a fonte não detalhe mecanismos específicos.

A resposta brasileira, na visão do presidente da Abag, não passa por cartelização da oferta, mas por eficiência produtiva e inovação na distribuição. O foco deve estar em tecnologia e em recomendações diferenciadas para manter a competitividade.

Para o produtor, o recado é de cautela estratégica: o diferencial de preço que abre mercados também atrai resistência. A diversificação de destinos e o investimento em eficiência aparecem como caminhos naturais, embora a fonte não os mencione explicitamente.

Congresso Andav: contexto do setor de distribuição agrícola

A fala ocorreu no 15º Congresso Andav, em São Paulo, evento que reúne distribuidores de insumos e representantes do agronegócio. A escolha do palco não é casual: a distribuição é o elo entre indústria e campo, justamente o ponto que Plöger projeta como central no futuro.

O executivo enxerga os distribuidores como agentes de transformação, não meros intermediários logísticos. A proximidade com o produtor e a capacidade de difundir tecnologia tornam esse elo estratégico para enfrentar barreiras externas.

A apresentação desta terça-feira (11) reforça um diagnóstico: o Brasil continuará exportando alimentos competitivos, e o mundo continuará reagindo a isso. A questão é como o setor se posiciona diante dessa realidade.

Perspectivas para o agro brasileiro em um cenário de barreiras

O tom da fala de Plöger é de alerta, mas não de pessimismo. A competitividade brasileira é um ativo, e a pressão externa é o preço desse ativo. O desafio é administrar a tensão entre abrir mercados e lidar com resistências.

A busca por soberania alimentar dos países importadores tende a criar novos instrumentos de proteção. O Brasil, como maior exportador líquido de alimentos do mundo, está no centro dessa dinâmica, ainda que a fonte não cite rankings específicos.

Para quem acompanha o setor, a mensagem é clara: o preço competitivo é uma faca de dois gumes. Ele garante demanda, mas também provoca reações. A estratégia brasileira, segundo Plöger, deve priorizar eficiência e inovação, não acordos de oferta.

Perguntas Frequentes

O que é a Abag?

A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) representa os interesses do setor agropecuário brasileiro. Seu presidente, Ingo Plöger, participou do 15º Congresso Andav em São Paulo.

Por que o preço competitivo do Brasil gera barreiras externas?

Segundo Plöger, muitos países reclamam do Brasil pelo preço competitivo dos alimentos, não pelo volume. A busca por soberania alimentar intensifica o protecionismo contra a produção brasileira.

O que é a 'Opep da comida'?

É uma proposta de aliança entre países produtores de alimentos, inspirada na Opep. Plöger a descartou, argumentando que a concentração de oferta alimentar é baixa, o que inviabiliza o modelo.

Quantas safras o Brasil consegue por ano?

Segundo o presidente da Abag, o Brasil tem capacidade de realizar até três safras por ano, graças à agronomia tropical e ao alto aproveitamento fotossintético.

Onde o presidente da Abag fez essa declaração?

A declaração foi feita no 15º Congresso Andav, em São Paulo, nesta terça-feira (11), durante apresentação sobre o futuro do agronegócio. o que é agronegócio soberania alimentar no brasil

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