Economia

Setor financeiro perde R$ 112 bi, um BBAS3, em dias na Bolsa

ResumoO setor financeiro brasileiro registrou perda de R$ 112 bilhões em valor de mercado entre 4 e 11 de agosto, conforme levantamento da Elos Ayta. O montante equivale ao valor de mercado do Banco do Brasil (BBAS3). A queda concentrou-se nos principais bancos listados na B3, refletindo ajustes de preços no período.

Os principais bancos listados na bolsa perderam R$ 112 bilhões em valor de mercado entre 4 e 11 de agosto, segundo a Elos Ayta. O montante equivale a um Banco do Brasil (BBAS3). Entenda os motivos.

Otávio Bandeira
Otávio Bandeira Analista de mercado de capitais · 12 de agosto de 2026
Setor financeiro perde R$ 112 bi, um BBAS3, em dias na Bolsa

Por que setor financeiro perdeu R$ 112 bi, um Banco do Brasil (BBAS3), em dias na Bolsa?

Os principais bancos listados na bolsa perderam R$ 112 bilhões em valor de mercado entre os dias 4 e 11 de agosto, mostra levantamento da Elos Ayta feito a pedido do Money Times. Esse montante equivale ao valor de mercado de quatro Klabin (KLBN11), que hoje vale R$ 21 bilhões, ou a um Banco do Brasil (BBAS3), com valor de mercado de R$ 110 bilhões. A maior queda ocorreu sobretudo na sessão da última terça-feira (11), quando a bolsa caiu mais de 2% e todos os bancos fecharam em queda superior a 3%.

O que está por trás da queda do setor financeiro?

Além de fatores macroeconômicos, com a piora do sentimento em relação à economia, há temores em relação ao crédito. João Vitor A. Saccardo, head da mesa de renda variável da Convexa, vê algumas preocupações no radar, como a evolução do crédito em meio ao cenário econômico.

"Os resultados de Santander (SANB11) e Bradesco (BBDC4) apresentaram um nível maior de inadimplência e maior nível de provisões, trazendo uma percepção do ciclo de crédito difícil, com a Selic ainda alta e alto nível de endividamento das famílias", destaca.

O banco espanhol, por exemplo, viu seu lucro recuar 17% com a disparada das provisões, o que fez a ação despencar após o balanço. A matriz espanhola aproveitou o momento para lançar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) para retirar as ações da bolsa brasileira.

No caso do BTG, diz Saccardo, os números vieram acima do esperado, mas com qualidade inferior à de outros trimestres. Ao todo, o banco lucrou R$ 5,1 bilhões, alta de 23%.

Juros altos e a Ata do Copom

A expectativa de juros elevados por um período mais longo também reduziu o apetite dos investidores, após a Ata do Copom trazer dúvidas sobre mais uma queda de 25 pontos-base (bps) na Selic. O número conta a história: com juros altos por mais tempo, o custo do crédito sobe e a inadimplência tende a pressionar os balanços.

Fluxo de capital estrangeiro e risco eleitoral

Segundo dados da B3, os gringos retiraram cerca de R$ 5,5 bilhões da bolsa na primeira semana de agosto. Esse movimento, na visão dos especialistas, é um dos "sinais mais claros" da percepção de risco focada nas eleições de outubro. O fluxo de capital é um termômetro: quando o investidor estrangeiro sai, a liquidez cai e a volatilidade sobe.

O petróleo também voltou a subir forte nos últimos dias, aumentando o receio de inflação e de juros elevados, o que favorece a saída de capital estrangeiro. Ontem, o JPMorgan rebaixou para neutra a exposição recomendada ao mercado brasileiro.

Itaúsa: o alerta do CEO

Falas do CEO da Itaúsa (ITSA4), holding que controla o Itaú (ITUB4), maior banco privado do país, dão um indicativo claro dessa mudança de humor. Em teleconferência de resultados da companhia na última quinta-feira, Alfredo Setubal deixou claro que o próximo ano será "desafiador".

"A economia brasileira está crescendo devagar, com as taxas de juros bastante elevadas. É uma economia desacelerando do ponto de vista do consumo. Então, é um ambiente pouco propício, vamos dizer assim, aos negócios", afirmou.

Setubal também descarta, por enquanto, algum aumento da inadimplência no Itaú e até entre os clientes das empresas da holding. O banco, até agora, tem segurado bem a inadimplência. Para o executivo, esse cenário deve se manter não só neste segundo semestre, mas também no ano que vem.

O que esperar do setor financeiro?

O cenário é de cautela. A combinação de juros altos, crédito mais caro e saída de capital estrangeiro tende a manter a pressão sobre os bancos. Por outro lado, balanços como o do BTG mostram que ainda há espaço para surpresas positivas, ainda que com qualidade inferior à de outros trimestres.

Para quem acompanha o setor, a dica é olhar de perto a evolução da inadimplência e das provisões nos próximos balanços. O número conta a história: quando as provisões disparam, o lucro encolhe. Foi o que aconteceu com o Santander, cujo lucro recuou 17%.

Perguntas Frequentes

Por que os bancos perderam R$ 112 bilhões em valor de mercado?

Entre 4 e 11 de agosto, os principais bancos listados perderam R$ 112 bilhões, segundo a Elos Ayta. A queda foi puxada por fatores macroeconômicos, temores com o crédito e a saída de capital estrangeiro da bolsa.

Qual foi o dia de maior queda?

A maior queda ocorreu na terça-feira (11), quando a bolsa caiu mais de 2% e todos os bancos fecharam em queda superior a 3%.

O que dizem os especialistas sobre o crédito?

João Vitor A. Saccardo, da Convexa, aponta maior inadimplência e provisões nos balanços de Santander e Bradesco, com a Selic ainda alta e alto endividamento das famílias.

Como o capital estrangeiro influencia o setor?

Segundo a B3, os gringos retiraram R$ 5,5 bilhões na primeira semana de agosto, um dos "sinais mais claros" da percepção de risco focada nas eleições de outubro.

O que disse o CEO da Itaúsa?

Alfredo Setubal afirmou que o próximo ano será "desafiador", com economia crescendo devagar e juros elevados, mas descartou aumento da inadimplência no Itaú por enquanto.

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