Economia

PL prepara plano B em Minas e busca ex-secretário de Zema para palanque de Flávio

ResumoO Partido Liberal (PL) estrutura um plano B em Minas Gerais com o ex-secretário da Casa Civil Marcelo Aro para compor o palanque de Flávio Bolsonaro. A estratégia depende da desistência do senador Cleitinho Azevedo e redesenha a disputa da direita, ampliando a pressão sobre o governador Mateus Simões.

Diante da indefinição de Cleitinho Azevedo, o PL passou a estruturar um plano B em Minas Gerais com o ex-secretário da Casa Civil Marcelo Aro. O movimento, que depende da desistência do senador, redesenha a disputa da direita e amplia a pressão sobre o governador Mateus Simões.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 23 de julho de 2026
PL prepara plano B em Minas e busca ex-secretário de Zema para palanque de Flávio

O PL prepara um plano B em Minas Gerais e busca o ex-secretário da Casa Civil de Romeu Zema, Marcelo Aro, para garantir o palanque do senador Flávio Bolsonaro no segundo maior colégio eleitoral do país. O movimento, que depende exclusivamente de uma desistência do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), redesenha a disputa da direita no estado e amplia a pressão sobre o governador Mateus Simões (PSD).

O que muda com a entrada de Marcelo Aro no cenário? O ex-secretário da Casa Civil de Zema foi um dos principais articuladores políticos do governo mineiro, com forte interlocução com prefeitos. Além disso, lidera um grupo político próprio formado por aliados distribuídos entre PP, Podemos e DC, com influência especialmente em Belo Horizonte, onde reúne uma bancada de 11 vereadores. A eventual candidatura também serviria como ponte entre o PL e a federação União-PP em Minas.

Por que o PL busca um plano B em Minas?

A indefinição de Cleitinho Azevedo sobre disputar o governo de Minas Gerais levou o PL a estruturar alternativas. O presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, confirmou ao GLOBO que Aro passou a integrar a lista de opções analisadas pela legenda., Reuni-me com o Zé Vitor (presidente do PL em Minas), e ainda não resolveram. Não sabem se será o Cleitinho. Há outras opções, como Medioli, Roscoe e Marcelo Aro. O Marcelo Aro hoje é candidato ao Senado. Ele foi da Casa Civil e vem forte. O pessoal está estudando. Ele pode sair candidato ao governo, afirmou Valdemar Costa Neto.

Embora mantenha a aposta em Cleitinho, a direção do PL admite que o impasse já compromete o planejamento eleitoral em Minas. A convenção estadual foi adiada para ampliar o prazo de negociação com o senador, mas dirigentes passaram a trabalhar paralelamente com alternativas para evitar que o partido chegue ao fim do calendário eleitoral sem um candidato ao Palácio Tiradentes., Marcelo só será candidato se o Cleitinho não for, afirmou o presidente estadual do PL, Zé Vitor.

Como a candidatura de Aro impacta Mateus Simões?

A eventual candidatura de Marcelo Aro produziria efeitos imediatos sobre o projeto de reeleição de Mateus Simões. Até poucos dias atrás, Aro era o nome do PP para disputar uma das vagas ao Senado na chapa do governador. O cenário mudou com a entrada do senador Carlos Viana no PSD e sua articulação para ocupar esse espaço, abrindo uma crise entre os dois grupos.

Desde então, aliados de Aro passaram a defender uma candidatura própria ao governo como forma de pressionar Simões, que enfrenta dificuldades para consolidar sua candidatura e aparece atrás dos principais adversários nas pesquisas de intenção de voto. Na última Quaest, ele aparece com 5% das intenções de voto.

Nos bastidores do PL, a leitura é que uma candidatura de Aro teria potencial para aprofundar a fragmentação da direita mineira e, ao mesmo tempo, enfraquecer a base política do governador, justamente quando ele tenta preservar o apoio de partidos da federação União Progressista.

Quais eram as alternativas anteriores do PL?

Até poucas semanas atrás, as alternativas discutidas pelo PL para substituir Cleitinho eram nomes mais identificados com o bolsonarismo e com o empresariado mineiro, como o ex-presidente da Fiemg Flávio Roscoe e o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli. A hipótese de uma candidatura própria agora é tida como um plano C.

A prioridade por Aro representa uma mudança de estratégia. Em vez de apostar nos quadros internos, o partido passou a considerar um aliado com estrutura política consolidada, capilaridade no interior e capacidade de alterar o equilíbrio de forças na sucessão mineira.

O que esperar da disputa em Minas?

O movimento do PL em Minas ocorre em meio a um distanciamento entre Flávio Bolsonaro e o partido de Tarcísio de Freitas, o que pode afunilar ainda mais as opções da campanha à presidência em busca de apoio na direita e no Centrão. A eventual candidatura de Aro, se confirmada, redesenha o tabuleiro eleitoral mineiro e amplia as possibilidades de uma composição local entre PL e a federação União-PP.

Procurado, Marcelo Aro não se manifestou até a publicação da reportagem original.

Perguntas Frequentes

Cleitinho Azevedo ainda é o nome preferido do PL?

Sim. O senador Cleitinho Azevedo continua sendo tratado como prioridade pelo comando nacional do PL. A candidatura de Marcelo Aro depende exclusivamente de uma desistência de Cleitinho.

Quem é Marcelo Aro?

Marcelo Aro é ex-secretário da Casa Civil de Romeu Zema, filiado ao PP. Ele lidera um grupo político próprio com influência em Belo Horizonte, onde reúne uma bancada de 11 vereadores.

Por que a candidatura de Aro pressiona Mateus Simões?

Até recentemente, Aro era o nome do PP para disputar o Senado na chapa de Simões. Com a entrada de Carlos Viana no PSD, aliados de Aro passaram a defender uma candidatura própria ao governo, o que enfraquece a base de apoio do governador.

Qual a vantagem de Aro para o PL?

Aro reúne atributos como articulação política, capilaridade no interior e capacidade de servir como ponte entre o PL e a federação União-PP em Minas.

O que muda na estratégia do PL?

Em vez de apostar em quadros internos identificados com o bolsonarismo, o partido passou a considerar um aliado com estrutura política consolidada e capacidade de alterar o equilíbrio de forças na sucessão mineira.

Leia também

Publicidade