Economia

PIB desacelera e mostra economia mais suscetível aos juros

ResumoO Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou alta de 0,5% no segundo trimestre, com desaceleração concentrada nos setores dependentes de crédito, como construção e indústria. A perda de tração reflete o impacto da taxa básica de juros elevada sobre o consumo e o investimento. O cenário sinaliza menor dinamismo econômico para o restante do ano, com riscos para a expansão da atividade e para a rentabilidade de ativos cíclicos.

O PIB brasileiro avançou 0,5% no segundo trimestre, mas a análise dos dados revela perda de tração nos setores mais sensíveis aos juros. Entenda o que isso significa para a economia e para seus investimentos.

Lia Hartmann
Lia Hartmann Especialista em renda fixa · 01 de setembro de 2026
PIB desacelera e mostra economia mais suscetível aos juros

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avançou 0,5% no segundo trimestre, após alta de 1,1% nos três primeiros meses do ano. O resultado veio levemente acima das expectativas de mercado, mas a leitura dos dados mostra perda de tração nos setores mais sensíveis aos juros, confirmando uma desaceleração mais rápida do que se esperava.

O crescimento foi sustentado quase exclusivamente por agropecuária e indústria extrativa mineral, menos dependentes do ciclo econômico. Já os componentes que dependem de crédito tiveram quedas expressivas, com destaque para a retração no consumo das famílias, além de recuos na indústria de transformação e na construção civil.

Para Rodolfo Margato, economista da XP, os resultados desagregados foram "fracos" e mostram "sinais de uma economia que perde tração a despeito de um mercado de trabalho ainda aquecido". Leonardo Costa, do ASA, aponta que "os segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico doméstico continuam perdendo dinamismo". Natalie Victal, da SulAmérica, resume: "o qualitativo veio um pouco pior do que o headline sugere".

O peso dos juros já é contundente na indústria de transformação, avalia Roberto Padovani, do banco BV. Antônio Ricciardi, do Daycoval, nota o arrefecimento dos serviços, que desaceleraram de 2,1% para 1,5% na base interanual. Gustavo Rostelato, da Armor Capital, vê "perda de tração da demanda interna".

Diante disso, os analistas revisaram projeções. A XP cortou o viés para 2% de crescimento em 2026, com Selic a 13,25% no fim do ano. O ASA reduziu de 2,0% para 1,8%, e o Daycoval ajustou de 1,7% para 1,8%. O BV mantém 1,9% no acumulado. Para o investidor, o recado é claro: a economia perde força, e o juro composto não perdoa.

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