PGR viu busca contra Weverton Rocha e Willer Tomaz como precipitada
PGR considerou busca contra endereços de Weverton Rocha e Willer Tomaz "precipitada"
A Procuradoria-Geral da República (PGR) considerou precipitada a decisão de impor buscas contra o advogado Willer Tomaz e familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA), no âmbito da Operação Sem Desconto. Em manifestação enviada ao STF, o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, destacou que a quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados seria suficiente para aquela fase da operação.
O que a PGR disse sobre as buscas
No documento, Chateaubriand Filho recomendou cautela. "Por ora, qualquer iniciativa probatória de natureza cautelar, sobretudo aquelas que se cumprem de forma ostensiva, tornando-se conhecidas dos investigados, e comumente expostas ao domínio público, parecem precipitadas", destaca trecho da recomendação.
A manifestação da PGR não impediu, porém, que o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, acatasse o pedido da Polícia Federal e autorizasse os mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos dois investigados na última terça-feira (4).
O papel atribuído a Weverton Rocha pela PF
No relatório enviado pela PF para embasar as buscas, os investigadores atribuíram a Rocha o exercício de um papel ativo na condução de decisões relacionadas ao grupo investigado pela operação.
Segundo a Polícia Federal, o senador era responsável por "formular demandas, indicar beneficiários, cobrar pagamentos, acompanhar repasses, tratar de imóveis, orientar providências e interferir em decisões patrimoniais" ligadas ao esquema.
O papel atribuído a Willer Tomaz pela PF
Já Tomaz, de acordo com os investigadores, mantinha ligação com empresas, imóveis, aeronaves, pilotos, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos, desempenhando um papel relevante na administração da estrutura patrimonial utilizada pelo grupo.
A descrição da PF indica uma atuação ampla na gestão de bens e contatos, o que, na visão dos investigadores, justificaria a medida cautelar.
O que é a Operação Sem Desconto
A Operação Sem Desconto foi deflagrada pela Polícia Federal em abril de 2025 para investigar um esquema de descontos associativos aplicados sem autorização sobre aposentadorias e pensões pagas pelo INSS.
O foco da investigação, portanto, está em supostos descontos indevidos que atingem diretamente beneficiários da Previdência. Para quem recebe aposentadoria ou pensão, a operação pode significar a identificação de valores retidos sem consentimento.
Por que a PGR viu precipitação
Na nota enviada ao STF, o vice-procurador-geral destacou que os indícios apontados pela PF formam um "quadro verossímil de eventos", mas ressaltou que as quebras de sigilo serviriam para confirmar a origem dos recursos apontados pelos investigadores e as conexões financeiras possíveis.
Ou seja, para a PGR, a fase ainda permitiria avançar com medidas menos invasivas, como a quebra de sigilo, antes de partir para buscas ostensivas. A recomendação, no entanto, não foi seguida pelo ministro André Mendonça, que autorizou os mandados.
O que isso pode significar para o andamento do caso
A divergência entre a PGR e a PF, com a decisão final do STF, não encerra a investigação. Ela apenas expõe um debate sobre o momento adequado de cada medida cautelar.
Para quem acompanha o caso, a leitura prática é: as buscas foram autorizadas, mas a PGR sinalizou que seria prudente aguardar a confirmação dos indícios por meio das quebras de sigilo. Isso pode influenciar futuras decisões judiciais sobre a validade das provas colhidas.
Perguntas Frequentes
A PGR foi contra as buscas?
Sim, a PGR considerou as buscas precipitadas, defendendo que a quebra de sigilo bancário e fiscal seria suficiente para aquela fase da operação.
Quem autorizou as buscas?
O ministro do STF, André Mendonça, acatou o pedido da Polícia Federal e autorizou os mandados de busca e apreensão.
O que é a Operação Sem Desconto?
É uma operação da Polícia Federal, deflagrada em abril de 2025, para investigar descontos associativos aplicados sem autorização sobre aposentadorias e pensões do INSS.
Quem são os investigados?
O senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o advogado Willer Tomaz, além de familiares de Rocha, segundo a fonte.
O que a PF atribui a Weverton Rocha?
A PF atribui a Rocha um papel ativo na condução de decisões, incluindo formular demandas, indicar beneficiários e cobrar pagamentos, conforme relatório citado na fonte.