Petróleo vai a maior nível desde julho e Wall Street cai
Wall Street engatou mais um pregão negativo nesta quarta-feira (9), pressionado pela disparada dos preços do petróleo e pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries para máximas históricas, em meio à escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.
Os preços do petróleo subiram pelo sétimo dia consecutivo. O contrato mais líquido do Brent, referência internacional, para novembro fechou com alta de 3,36%, a US$ 101,21 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, no maior nível desde o final de julho. Já o WTI para outubro, negociado na Nymex, nos EUA, subiu 3,25%, a US$ 96,05 o barril.
Mais cedo, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado 10 navios petroleiros após os EUA anunciarem ter destruído cinco navios iranianos. É a maior onda de ataques recíprocos na via marítima desde o início da guerra, que já dura seis meses.
Com a escalada do petróleo, os investidores aumentaram as preocupações com a inflação e reforçaram a precificação de uma alta de juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) na próxima decisão, em 16 de setembro. Perto do fechamento, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 60,2% de chance de elevação em 25 pontos-base. A probabilidade de manutenção da taxa na faixa de 3,50% a 3,75% é de 39,8%.
No mercado de títulos, os rendimentos dos Treasuries renovaram máximas históricas. O yield do título de 10 anos, referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito, atingiu 4,839%, no maior nível desde novembro de 2023. O de 30 anos subiu para 5,292%, enquanto o de dois anos operava com alta de 1 ponto-base, a 4,415%.
Pela manhã, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou a recompra de US$ 6 bilhões em títulos de 10 e 20 anos, operação prevista para amanhã (10), com valor o triplo do habitual. O Tesouro informou que operações futuras custarão pelo menos US$ 4 bilhões. No mês passado, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que o órgão dobraria, no mínimo, as recompras de títulos de prazo mais longo, com valor possível acima de US$ 4 bilhões por emissão. As operações entraram em vigor hoje e devem se estender até 4 de novembro.
O mercado também operou à espera do índice de preços ao consumidor (CPI), que será divulgado na sexta-feira (11). Para o UBS GW, o dado será decisivo para reforçar ou enfraquecer a perspectiva de alta de juros pelo Fed. Estrategistas do banco avaliam que, após três meses de leituras benignas do CPI núcleo na comparação mensal (0,21% em maio, -0,02% em junho e 0,22% em julho), uma nova leitura contida seria necessária para desestimular o Fed a elevar os juros ainda este mês.