Petróleo supera US$ 95 e acende alerta nos mercados; até onde vai o barril?
O petróleo Brent superou US$ 95 o barril nesta quarta-feira (22), acumulando alta de quase 30% desde as mínimas do ano. Tensões entre EUA e Irã, riscos no Estreito de Ormuz e a inflação global acendem alerta nos mercados. Analistas do Citi, Itaú, BB e Goldman Sachs projetam cenár
Petróleo supera US$ 95 e acende alerta nos mercados; até onde vai o barril?
O petróleo Brent, referência para o mercado internacional, superou US$ 95 o barril nesta quarta-feira (22), após uma alta de 3,36% no contrato para setembro, fechando a US$ 94,07 na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. O movimento é o maior nível em cinco semanas e reacendeu o alerta nos mercados globais, especialmente nos emergentes.
Nos últimos 11 dias, a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã deu novo fôlego aos preços do petróleo, que voltaram ao patamar de US$ 90 o barril. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato do West Texas Intermediate (WTI) para agosto avançou 2,95%, a US$ 86,83 o barril.
Por que o petróleo subiu tanto?
A alta acumulada é de quase 30% em relação às mínimas deste ano, de US$ 72 o barril, registradas em 17 de junho. Naquele dia, a assinatura de um memorando de entendimento (MoU) entre EUA e Irã havia aliviado as tensões. Agora, o cenário se inverteu.
Para o analista Luis Costa, do Citi, a recente disparada levou o mercado a reavaliar os perfis energéticos dos mercados emergentes. O resultado, segundo ele, foi uma ação de preços mais nervosa nos países mais expostos da Ásia e da região da Europa Central, Oriente Médio e África, onde havia posições relevantes de investidores.
Impacto nos mercados emergentes e na inflação
O economista Pedro Schneider, da equipe de macroeconomia do Itaú Unibanco, avalia que a combinação entre o conflito envolvendo Irã e Estados Unidos, a volatilidade do petróleo e a persistência da inflação global tornou o ambiente mais desafiador para os mercados.
Segundo ele, o conflito adiciona um prêmio de risco aos ativos globais e aumenta a incerteza em um momento em que a inflação já pressiona bancos centrais ao redor do mundo.
Projeções para o Brent: de US$ 80 a US$ 120
O Itaú projeta o Brent a US$ 80 o barril em dezembro deste ano. O economista, durante o evento Macro em Pauta, realizado na última terça-feira (21), reconheceu que a recente retomada das tensões no Oriente Médio elevou novamente os preços da commodity.
Já a equipe de commodities do Goldman Sachs destaca que a curva futura do Brent está modestamente acima das projeções do banco, de US$ 80 o barril no quarto trimestre deste ano (4T26). As estimativas incorporam uma potencial desescalada do conflito entre setembro e dezembro.
Por outro lado, os analistas do Goldman Sachs afirmam que os riscos para os preços estão inclinados para cima, especialmente no curto prazo. Eles estimam que o Brent possa superar US$ 120 por barril no 4T26 e registrar uma média de US$ 100 em 2027, caso as interrupções no Estreito de Ormuz persistam ao longo do próximo ano.
"Esse cenário pressupõe que a produção do Golfo se recupere totalmente apenas em dezembro de 2027, apoiada por ampliações na infraestrutura de oleodutos", afirmaram os analistas do Goldman Sachs.
Estreito de Ormuz e o risco de bloqueio
Para o analista Daniel Cobucci, do BB Investimentos, a recente escalada das tensões no Oriente Médio com redução do tráfego no Estreito de Ormuz e as ameaças de bloqueio de rotas marítimas no Mar Vermelho pelos Houthis, do Iêmen, devem ancorar os preços do petróleo em níveis elevados por mais tempo do que o previsto.
Esse cenário, na visão dele, beneficia a Petrobras (PETR4) enquanto produtora de baixo custo sem exposição direta à zona de conflito. O BB Investimentos elevou a recomendação das ações PETR4 para compra e tem preço-alvo de R$ 45 para dezembro.
Até onde vai o barril?
O consenso entre os analistas é de que os preços do petróleo devem permanecer voláteis, com riscos assimétricos para cima no curto prazo. Enquanto o Itaú projeta US$ 80 para o Brent em dezembro, o Goldman Sachs admite que o barril pode chegar a US$ 120 no quarto trimestre de 2026 se o conflito se intensificar.
A curva futura do Brent, segundo o Goldman Sachs, incorpora uma potencial desescalada entre setembro e dezembro, mas os riscos de interrupção no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho mantêm o mercado em alerta.
Perguntas Frequentes
O que fez o petróleo subir para US$ 95?
A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã nos últimos 11 dias elevou o prêmio de risco sobre os ativos globais, levando o Brent a superar US$ 95 o barril.
Qual a projeção do Itaú para o petróleo?
O Itaú Unibanco projeta o Brent a US$ 80 o barril em dezembro deste ano, mas reconhece que as tensões no Oriente Médio podem elevar os preços.
O Goldman Sachs prevê petróleo a US$ 120?
Sim, os analistas do Goldman Sachs estimam que o Brent pode superar US$ 120 por barril no quarto trimestre de 2026 se as interrupções no Estreito de Ormuz persistirem.
Como o conflito no Oriente Médio afeta a Petrobras?
Para o BB Investimentos, a Petrobras (PETR4) se beneficia como produtora de baixo custo sem exposição direta à zona de conflito, o que levou a casa a recomendar compra das ações.
O que é o Estreito de Ormuz e por que importa?
O Estreito de Ormuz é uma rota marítima estratégica por onde passa grande parte do petróleo do Golfo. A redução do tráfego no local, devido às tensões, pressiona os preços do barril para cima.