Petróleo sem direção única com dúvidas sobre Ormuz
O petróleo fechou sem direção única nesta quinta-feira, 3, após uma sessão volátil, em meio a relatos de que a Síria poderia se apresentar como rota alternativa ao Estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, surgiram informações de divergências entre Irã e Omã sobre a navegação na região, enquanto as trocas de ataques no Golfo Pérsico continuam.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para outubro fechou em alta de 0,32% (US$ 0,29), a US$ 91,30 por barril. Já o Brent para novembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em queda de 0,12% (US$ 0,11), a US$ 95,52 por barril. Nos Estados Unidos, o rendimento do Treasury de dez anos recuava a 4,76%, de 4,794% na véspera.
Uma notícia do The Washington Post aponta que a Síria, sob o comando de seu novo presidente, Ahmed al-Sharaa, está se apresentando como um corredor terrestre relativamente estável para o transporte de energia e mercadorias, além de uma alternativa ao Estreito de Ormuz. Aliado de al-Sharaa, o presidente americano, Donald Trump, classificou o relato como uma "ótima notícia". Trump também disse que os Estados Unidos têm "quantidades virtualmente ilimitadas de munição", muito além do necessário para a operação militar no Irã "ou para qualquer outra guerra".
Em paralelo, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, disse que o governo norte-americano não irá dialogar com o Irã até que o país pare de atacar embarcações no Estreito de Ormuz. O Irã voltou a atacar bases americanas em países vizinhos, com bombardeios de mísseis e drones em instalações dos Estados Unidos nos Emirados Árabes Unidos e no Kuwait nesta quinta-feira.
Para o Goldman Sachs, os mercados de transporte agora precificam um status quo de "sem acordo no Oriente Médio" por mais tempo. "No entanto, a crescente adaptabilidade do mercado ao conflito, incluindo um aumento da frota fantasma e a sensibilidade de preço das importações de petróleo da China, provavelmente continuará a moderar a alta dos preços do petróleo", afirmam.
O ministro do Petróleo iraniano, Mohsen Paknejad, afirmou que uma parcela significativa dos danos causados às instalações de energia do país já foi reparada, e a recuperação da capacidade de produção segue em ritmo acelerado. Segundo o The New York Post, Omã recusou o pedido do Irã para, em conjunto, cobrar taxas de serviço de navios comerciais no Estreito de Ormuz, em meio a ameaças de Washington contra os dois países. O relato contradiz declaração feita na semana passada pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC).
Para quem acompanha o preço dos combustíveis no Brasil, o cenário segue de atenção: a volatilidade no Oriente Médio mexe diretamente com o custo do barril, que influencia a gasolina e o diesel nas bombas. Sem acordo à vista, o mercado deve continuar oscilando conforme cada novo capítulo do conflito. impacto do petróleo nos combustíveis
Como isso afeta o consumidor brasileiro
A alta do petróleo tende a pressionar os preços internos da gasolina e do diesel, já que a Petrobras acompanha o mercado internacional. Por outro lado, a queda do Brent, mesmo que pequena, alivia parte dessa pressão. O vai e vem de notícias sobre Ormuz deve manter os preços instáveis nas próximas semanas. preço da gasolina hoje