Petrobras reajusta diesel em R$ 1 e subsídio neutraliza alta
A Petrobras anunciou reajuste de R$ 1 por litro no diesel, neutralizado por subvenção federal de igual valor com prazo de 30 dias. Preços às distribuidoras ficam inalterados, mas o pacote de benefícios custa R$ 7 bilhões mensais à União.
A Petrobras informou que vai aumentar o preço do diesel em R$ 1,00 por litro a partir de quinta-feira. O reajuste, porém, será neutralizado pela subvenção econômica ao óleo diesel A rodoviário, de R$ 1,00 por litro, cuja portaria foi publicada hoje. Com isso, os preços de venda da Petrobras às distribuidoras permanecem inalterados.
A subvenção tem prazo de 30 dias e vigência imediata. Segundo a estatal, a medida permite que a companhia usufrua dos benefícios estabelecidos pelo Governo Federal sem repassar o aumento ao consumidor final.
A adesão ao programa, diz a Petrobras, tem caráter facultativo. A empresa afirma que a medida é compatível com seus interesses e preserva sua flexibilidade na estratégia comercial. A assinatura do termo de adesão ainda depende da publicação de atos complementares e da conclusão dos trâmites internos de governança.
No mercado internacional, o petróleo Brent para novembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), fechou em queda de 2,69% (US$ 2,92), a US$ 105,83 o barril. Para setembro, a Abicom estima 870 mil m³ de importações de diesel programadas, das quais 40% seriam realizadas pela Petrobras.
A estatal ressalta que mantém sua estratégia comercial orientada pela participação de mercado, pela otimização dos ativos de refino e pela busca de rentabilidade sustentável, evitando o repasse imediato da volatilidade cambial e das cotações internacionais.
O alívio no bolso do consumidor tem custo fiscal. Na semana passada, o governo anunciou desoneração de Pis/Cofins de R$ 0,63 por litro da gasolina e de R$ 0,19 por litro do etanol. Somados à nova subvenção do diesel, os benefícios adicionais sobre os combustíveis custam R$ 7 bilhões aos cofres da União por mês.
O ciclo sempre vira: subsídio de um lado, pressão fiscal do outro. Para quem acompanha a cadeia de combustíveis, a pergunta que fica é quanto tempo o pacote se sustenta sem novo ajuste nas contas públicas.