Economia

Perdas de empregos ameaçam Milei na Argentina, dizem analistas

ResumoAs perdas de empregos na Argentina representam a principal ameaça ao governo de Javier Milei, segundo analistas. O emprego formal recua pelo segundo ano consecutivo, enquanto a inflação apresenta queda. A deterioração do mercado de trabalho pressiona as chances de reeleição de Milei em 2026, tornando a questão central para a sustentabilidade política do atual governo.

Perdas de empregos são a maior ameaça para Milei na Argentina, dizem especialistas. Enquanto a inflação cai, o emprego formal recua pelo 2º ano, pressionando a reeleição em 2026.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 20 de agosto de 2026
Perdas de empregos ameaçam Milei na Argentina, dizem analistas

O presidente Javier Milei conseguiu reduzir a inflação e a pobreza na Argentina, além de eliminar o déficit fiscal. Mas o mercado de trabalho segue preso à crise que ele prometeu enfrentar ao assumir o cargo. Pelo segundo ano consecutivo, a economia cresce enquanto o emprego formal recua, justamente no segmento com salário, benefícios e assistência médica. Essas perdas de postos representam, possivelmente, a principal ameaça à tentativa de reeleição de Milei no próximo ano, em um momento em que investidores torcem para que o pêndulo político não se afaste de sua agenda pró-mercado.

A Argentina perdeu 241 mil empregos formais no setor privado desde que Milei assumiu, o equivalente a 4% do total, enquanto sua administração eliminou 73 mil vagas no setor público, segundo dados oficiais. O número de empresas empregadoras do setor privado caiu para 482 mil, o menor nível desde 2007, segundo o centro de estudos Fundar. Apenas uma província, Neuquén, impulsionada pelo boom energético, registrou aumento no número de empresas durante o governo. Isso sugere que os trabalhadores não estão conseguindo migrar dos setores em dificuldade para os em expansão, segundo a consultoria Equilibra.

A indústria e a construção lideram as perdas de empregos formais, enquanto cresce o número de pessoas em entregas por aplicativo, transporte por plataformas e serviços em restaurantes, atividades marcadas pela informalidade. "Estamos vivendo um processo que pode ser descrito como crescimento sem geração de empregos de qualidade, ou crescimento sem empregos", disse Matías Maito, economista do trabalho da Universidade Nacional de San Martín. "A única coisa que cresceu nos últimos dois anos foi o emprego informal."

Segundo a pesquisa LatAm Pulse, da AtlasIntel para a Bloomberg News, o desemprego supera a inflação como principal preocupação econômica dos eleitores há um ano. A aprovação de Milei, em 37%, está próxima do nível mais baixo de seu mandato. Parte dessa mudança decorre do sucesso em reduzir a inflação, que antes estava em três dígitos. Carlos Menem foi reeleito em 1995 apesar de desemprego de dois dígitos, após derrotar a hiperinflação, com inflação anual abaixo de 2%. Para o próximo ano, economistas projetam inflação em torno de 20%.

Os cortes de gastos, considerados necessários por muitos analistas, reduziram obras públicas e elevaram tarifas, afetando construção, renda e consumo. A valorização da moeda tornou serviços argentinos mais caros, e a abertura econômica aumentou a concorrência externa, pressionando setores tradicionais. Até setores competitivos, como petróleo, mineração e tecnologia, registram desaceleração nas contratações. Na The Black Puma, de Patricio Pagani, os salários em dólares dobraram desde a posse, reduzindo margens. Pagani busca contratar no Brasil e abrir operações na Colômbia, onde custos são menores. "A Argentina deixou de ser competitiva em termos de custo", afirmou.

A taxa de desemprego formal chegou a 7,8%, mas a informalidade, que já representa 44% da força de trabalho, mascara o impacto. Um estudo da Universidade Católica Argentina mostrou que trabalhadores de diferentes rendas migram para a informalidade, vista mais como necessidade do que escolha. Sergio Moreno, da Fundação Oficios, recebeu mais de 3.500 inscrições para 700 vagas em capacitação profissional, 40% a mais que no ano anterior. Rubén Barboza, 56, desempregado desde novembro, quando a fábrica de móveis fechou, frequenta seu segundo curso após se candidatar a 30 vagas sem oferta. "Muita gente já não consegue chegar ao fim do mês", disse. inflação argentina mercado de trabalho

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