Payroll forte pressiona mercados; Ibovespa resiste e fecha quase estável
O payroll dos EUA surpreendeu com 162 mil vagas em agosto, pressionando juros e dólar. O Ibovespa caiu, recuperou e fechou quase estável, aos 185.147 pontos. Entenda os fatores.
O payroll dos Estados Unidos surpreendeu o mercado nesta sexta-feira (4) e pressionou os ativos de risco. Foram criadas 162 mil vagas em agosto, quase três vezes as 55 mil esperadas. A taxa de desemprego ficou em 4,1% e o ganho médio por hora subiu 0,3% no mês, em linha com as projeções. Em 12 meses, os salários avançaram 3,1%, ligeiramente acima dos 3,0% previstos.
O número forte reacendeu as apostas em alta de juros pelo Federal Reserve (Fed). Segundo a ferramenta FedWatch, da CME, a probabilidade de um aumento de 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%, subiu de 49,4% para 58,6%. O rendimento do Treasury de dois anos avançou cerca de 4 pontos-base, para 4,377%.
O Ibovespa sentiu o impacto. Após fechar a quinta-feira aos 185.188 pontos, o índice caiu até 183.251 pontos, queda superior a 1%. Mas a Bolsa brasileira se recuperou ao longo da manhã, virou para alta e chegou a 186.544 pontos. O fôlego diminuiu à tarde, e o índice fechou com baixa de apenas 0,02%, aos 185.147 pontos. Foram mais de 3.200 pontos entre a mínima e a máxima do dia.
Especialistas ouvidos pelo InfoMoney explicam a reação pela combinação de um choque externo que perdeu força com fatores domésticos. Rafael Perretti, economista e analista da Clear Corretora, afirma que o impacto do payroll foi forte, mas não teve continuidade porque os investidores seguem olhando para as contas públicas e para o cenário eleitoral. "O impacto imediato em relação ao payroll não trouxe continuidade porque a gente tem uma bolsa muito barata, uma bolsa atrativa", diz.
Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, reforça que o payroll mais forte mantém os juros americanos elevados por mais tempo, o que tende a reduzir o apetite por emergentes. Mas, segundo ele, o fluxo comprador foi sustentado por fatores locais. "Investidores parecem priorizar mais o cenário local, especialmente sobre as perspectivas eleitorais", afirma.
A composição do Ibovespa também ajudou. A Vale (VALE3) subiu 0,22%, a R$ 78,62, e o Itaú (ITUB4) terminou estável, a R$ 41,92. Já a Petrobras limitou o avanço: a PETR3 caiu 1,08%, a R$ 52,01, e a PETR4 recuou 0,95%, a R$ 47,11. No exterior, o S&P 500 caiu 0,38%, o Dow Jones recuou 0,53% e o Nasdaq perdeu 0,29%. O dólar subiu 0,5%, a R$ 5,13.
O desenho do pregão teve três momentos: queda forte após o payroll, recuperação completa das perdas e acomodação perto da estabilidade. A resistência do Ibovespa não significa que o efeito do payroll tenha desaparecido. Os juros americanos terminaram mais pressionados, e o mercado passou a ver a alta de setembro como cenário mais provável. impacto do payroll no mercado brasileiro o que esperar da reunião do Fed em setembro