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Ozempic, Wegovy e Mounjaro: além da obesidade, outras doenças

Medicamentos à base de GLP-1, conhecidos pelo uso no diabetes tipo 2 e na obesidade, vêm ampliando o alcance para outras áreas da saúde. As canetas emagrecedoras como Ozempic, Wegovy e Mounjaro já receberam aprovações regulatórias ou estão em avaliação para doenças cardiovasculares, renais, hepáticas, respiratórias e neurológicas.

O avanço mais recente ocorreu com a aprovação do Mounjaro, da Eli Lilly, pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos. O medicamento passou a ser indicado para reduzir o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC) em pacientes com diabetes tipo 2 de alto risco cardiovascular.

A ampliação das indicações ocorre em meio à corrida entre fabricantes para demonstrar benefícios além da perda de peso. A rival Novo Nordisk já havia obtido aprovação para o Wegovy na redução do risco de eventos cardiovasculares em adultos com sobrepeso ou obesidade.

Expansão para rins, fígado e outras áreas

Os maiores avanços ocorreram na área cardiovascular. Além da aprovação do Wegovy para reduzir risco de morte cardiovascular, infarto e AVC, a semaglutida recebeu autorização na Europa para ajudar no tratamento de sintomas de insuficiência cardíaca em pacientes com obesidade. A Eli Lilly também estuda a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro e do Zepbound, em pacientes com insuficiência cardíaca associada à obesidade.

Na nefrologia, o Ozempic recebeu aprovação nos Estados Unidos para reduzir o risco de progressão da doença renal crônica e de insuficiência renal em pacientes com diabetes. A tirzepatida também está sendo avaliada em estudos clínicos envolvendo pessoas com obesidade e doença renal crônica.

Os medicamentos GLP-1 também apresentam resultados promissores em pessoas com esteatohepatite associada à disfunção metabólica (MASH), condição que pode evoluir para cirrose. Em 2025, o Wegovy recebeu aprovação nos Estados Unidos para o tratamento da doença. Já estudos com a tirzepatida indicaram melhora significativa dos sinais da MASH, levando a Eli Lilly a investir em pesquisas de longo prazo.

Pesquisas apontam benefícios para pacientes com osteoartrite do joelho associada à obesidade. Em um estudo da Novo Nordisk, a semaglutida ajudou a reduzir o peso corporal e a dor no joelho, além de melhorar a capacidade funcional dos participantes quando comparada ao placebo.

Em dezembro de 2024, o Zepbound tornou-se o primeiro medicamento aprovado pela FDA para tratar diretamente pacientes com apneia obstrutiva do sono, distúrbio caracterizado por interrupções repetidas da respiração durante o sono.

Na área neurológica, pesquisadores estudam o potencial da semaglutida em condições associadas à obesidade, como a hipertensão intracraniana idiopática. Entre os usos ainda experimentais estão o tratamento da dependência alcoólica e da doença de Alzheimer. Pesquisas iniciais apontaram que a semaglutida pode reduzir o desejo por álcool em pessoas com transtorno por uso de álcool, motivando novos estudos clínicos. No caso do Alzheimer, os resultados foram mais limitados: ensaios da Novo Nordisk não demonstraram redução significativa da progressão da doença, embora alguns indicadores tenham apresentado melhora.

A expansão dos estudos reforça o interesse da indústria farmacêutica em explorar o potencial dos GLP-1 além da obesidade e do diabetes. Enquanto algumas aplicações já contam com aprovação regulatória, outras ainda dependem de evidências adicionais para confirmar eficácia e segurança.

Rubens Athayde
Economista de mercado
Economista de mercado.
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