Oxfam Brasil: concentração de riqueza amplia desigualdade política
Relatório da Oxfam Brasil aponta que a concentração de riqueza amplia a desigualdade política, com ricos tendo mais acesso a cargos e influência sobre políticas públicas.
A concentração de riqueza no Brasil amplia a desigualdade política, segundo relatório da Oxfam Brasil publicado nesta quarta-feira (19). O estudo "Um Retrato das Desigualdades Brasileiras: Poder, Privilégio e a Captura da Democracia" aponta que a presença proporcionalmente maior de ricos na política tende a criar leis e regulações que não favorecem a distribuição de recursos. A concentração econômica sufoca a democracia ao conferir às elites o poder de veto sobre políticas públicas e influenciar eleições.
Dados do relatório mostram que, nas eleições de 2022, quase 45% de todas as pessoas eleitas declararam patrimônio superior a R$ 1 milhão. No Senado, dos 207 candidatos, apenas 15 (7% do total) declararam patrimônio de até R$ 100 mil, e nenhum foi eleito. Já entre os 79 candidatos com patrimônio acima de R$ 1 milhão, 15 foram eleitos, representando 55% dos eleitos para as 27 vagas, embora fossem 38% dos concorrentes. A pesquisa também revela que, nas eleições de 2024, apenas 13,2% dos municípios elegeram prefeitas, e nas capitais, somente 2 de 26 pleitos foram vencidos por mulheres. Na Câmara, 82,3% dos eleitos em 2022 eram homens; no Senado, 23 homens contra 4 mulheres.
O fenômeno não se limita ao Brasil. Estudo da Oxfam internacional mostrou que a riqueza dos bilionários cresceu US$ 2,5 trilhões no último ano, chegando a US$ 18,3 trilhões. Indivíduos super-ricos têm probabilidade 4.000 vezes maior de ocupar cargos políticos do que cidadãos comuns. O Global Wealth Report 2026, do banco suíço UBS, posiciona o Brasil em quarto lugar mundial em desigualdade patrimonial, com cerca de 386 mil milionários (em dólar) e 69% da população adulta na base da pirâmide, com patrimônio médio de até R$ 51 mil. Apesar da saída de quase 9 milhões de pessoas da pobreza, o país progrediu pouco no combate à desigualdade, mantida por estrutura tributária que "penaliza mais a base do que o topo".
A Oxfam critica ainda a limitação das políticas de transferência de renda, que podem preservar intactos os mecanismos fiscais que protegem os patrimônios dos super-ricos. O relatório conclui que a ocupação de cargos decisórios segue um perfil "branco, masculino e rico", tanto no eleitoral quanto em áreas técnicas como Judiciário e Executivo. A captura institucional afeta desproporcionalmente populações historicamente vulnerabilizadas, como mulheres negras, povos indígenas e comunidades quilombolas desigualdade social no Brasil eleições e representatividade.