De onde vieram os votos de Augusto Cury? Pesquisa dá pistas
Augusto Cury cresceu na corrida presidencial atraindo mulheres evangélicas e eleitores sem candidato, segundo análise de Cila Schulman no Mapa de Risco. O avanço, porém, perdeu força.
A ascensão de Augusto Cury na corrida presidencial não veio de um único favorito. O candidato tirou votos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL), segundo Cila Schulman, CEO do Instituto Ideia. O espaço principal, porém, foi entre mulheres evangélicas resistentes às duas candidaturas.
A análise foi feita no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, na sexta-feira (11).
Schulman descreveu o movimento como difuso. "Ele roubou voto de todo mundo, roubou voto do Lula, roubou voto do Flávio, voto dele veio de muitos lugares", afirmou. O eleitorado que migrou para Cury tem perfil conservador, com preocupação sobre corrupção e resistência específica a Flávio. "Mulheres evangélicas foram um público muito importante, mulheres que estão ali, que são contra a corrupção, que são mais conservadoras e que tinham uma resistência ali ao Flávio, e que viram no Augusto Cury ali um caminho", disse Schulman.
O primeiro debate presidencial, segundo a pesquisadora, foi decisivo para o avanço. A participação deu visibilidade ao candidato e gerou cortes que circularam nas redes sociais. "O Augusto Cury cresceu ali no momento que ele vai no único debate que ocorreu e aproveita aquele debate para fazer cortes, distribuir os seus cortes", afirmou. Cury também ocupou temporariamente espaço entre eleitores sem candidato e cansados da polarização.
O avanço, no entanto, perdeu força. Com Cury perdendo tração conforme os dados mais recentes das pesquisas, o eleitorado que ele atraiu volta a ser relevante para Lula e Flávio numa disputa apertada. Schulman observa que boa parte desse eleitorado tem em comum a rejeição à continuidade do atual governo. "Eles são anti-governo, eles não querem que esse governo continue", disse.
Para Flávio, há um desafio particular. Parte dessas mulheres tem perfil conservador, mas mantém resistência à família Bolsonaro. É nesse ponto que Michelle Bolsonaro pode ganhar importância. Bárbara Baião, analista de política da XP, classificou a ex-primeira-dama como um "fenômeno" na comunicação com mulheres conservadoras das periferias. Sobre Flávio, afirmou: "Ele tem ali a rejeição sobre o eleitorado feminino, algo muito cristalizado, que talvez até seja da questão do pai, mas que está passando para ele".
O Mapa de Risco vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e nos tocadores de podcast.