Economia

Gerdau (GGBR4) prevê transformação no Brasil com aço importado

ResumoGerdau (GGBR4) prevê transformação "bastante significativa" no Brasil para o 2T26, impulsionada pela América do Norte. A siderúrgica enfrenta importações elevadas e margens pressionadas, com estratégia focada em ajuste operacional e competitividade. A resposta da companhia visa mitigar o impacto do aço importado no mercado doméstico.

Com 2T26 impulsionado pela América do Norte, a Gerdau (GGBR4) prepara transformação "bastante significativa" no Brasil para enfrentar importações elevadas e margens pressionadas. Entenda a estratégia.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 05 de agosto de 2026
Por que Republicanos desistiu do veto a Cleitinho em Minas

Gerdau (GGBR4) anuncia transformação "bastante significativa" no Brasil

A Gerdau (GGBR4) divulgou um segundo trimestre de 2026 (2T26) novamente impulsionado pela operação na América do Norte. Em teleconferência de resultados nesta quarta-feira (5), a companhia afirmou que prepara uma transformação "bastante significativa" no Brasil para enfrentar um ambiente de importações elevadas, margens pressionadas e competição mais acirrada.

Enquanto isso, o cenário para os negócios nos Estados Unidos segue favorável. O CEO Gustavo Werneck destacou que a demanda americana continua aquecida, sustentada por investimentos em data centers, infraestrutura, energia e manufatura, além do ambiente tarifário mais favorável aos produtores locais.

"A América vive um momento talvez sem paralelo. Temos de voltar muito no tempo para encontrar um cenário de demanda tão robusta e resiliente para construção metálica", afirmou Werneck.

O que esperar do mercado de aço nos EUA

Segundo o executivo, projetos ligados à inteligência artificial, expansão da rede elétrica, infraestrutura e novas fábricas de semicondutores seguem impulsionando a demanda por aço nos Estados Unidos. A penetração de aço importado continua limitada nos principais mercados da companhia, e a urgência dos clientes em receber material tem reduzido o risco de maior concorrência externa.

A administração indicou que o cenário para a operação norte-americana pode ser melhor do que o refletido nas projeções atuais. O CFO Rafael Japur afirmou que o outlook ainda não incorpora integralmente os dois reajustes de preços anunciados nos últimos dias para aços especiais, vigas e perfis.

"Tem uma alta de risco não desprezível nessa visão", afirmou o executivo.

Transformação no Brasil: o que muda para o consumidor

Enquanto vê espaço para expansão nos Estados Unidos, a Gerdau adota um discurso cauteloso para o Brasil. Segundo Werneck, a companhia está desenhando sua estratégia considerando um ambiente estruturalmente mais difícil, marcado por elevada penetração de importados, custos elevados e maior competição.

"Não dá para ficar desenhando a Gerdau do futuro no Brasil achando que vai voltar a penetração de importados para 11%, que vai ter consolidação. Não dá. Nós não trabalhamos com esse cenário", afirmou.

O CEO acrescentou que a empresa está assumindo que esse ambiente deve persistir e que sua resposta será aumentar a competitividade da operação. "Vamos competir de uma forma muito mais intensa aqui no Brasil do que já competimos no passado", disse.

Werneck comparou o processo ao trabalho realizado nos Estados Unidos nos últimos anos, quando a companhia promoveu venda de ativos, revisão do portfólio e investimentos direcionados para elevar a rentabilidade.

"Assim como fizemos nos Estados Unidos, vai ter uma transformação bastante significativa na forma como operamos e na nossa competitividade."

Primeiros passos: unidade de Recife e plano futuro

Parte desse movimento já começou. O executivo citou a readequação da unidade de Recife, que deixará de produzir aço na aciaria para operar apenas com laminação, como um dos primeiros passos dessa estratégia. A companhia pretende apresentar o plano de transformação em mais detalhes nos próximos meses.

Investimentos e capex: o que esperar

Na frente financeira, a Gerdau afirmou que o desembolso de investimentos neste ano segue ligeiramente abaixo do guidance de R$ 4,7 bilhões. Para os próximos anos, Japur indicou que o capex pode cair para uma faixa entre R$ 4 bilhões e R$ 4,5 bilhões, mas descartou uma redução muito maior.

Segundo ele, caso a companhia consiga diminuir os investimentos de manutenção, os recursos deverão ser redirecionados para projetos de competitividade, principalmente no Brasil e na América do Norte, e não necessariamente distribuídos aos acionistas.

A administração também reiterou que não pretende aumentar a alavancagem apenas para elevar dividendos ou recompras de ações. "A gente não tem essa cabeça", afirmou Japur, comentando que a dívida líquida equivalente a 0,69 vez o Ebitda não representa um alvo a ser elevado para uma vez apenas para ampliar a remuneração aos acionistas.

"O limite é uma vez e meia, mas a gente já se sente desconfortável acima de uma vez. Não temos necessidade de aumentar a alavancagem para chegar lá."

Projetos que podem adicionar R$ 1,5 bilhão ao resultado

A companhia estima que os projetos de Miguel Burnier, da expansão em Ouro Branco e da unidade de processamento de sucata em Pindamonhangaba poderão adicionar entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,5 bilhão ao resultado anual quando estiverem plenamente operacionais.

Segundo Japur, os primeiros benefícios da expansão de Miguel Burnier devem começar a aparecer no quarto trimestre, reduzindo o custo de abastecimento da usina de Ouro Branco. A estratégia da companhia está menos dependente de uma recuperação do mercado brasileiro e mais focada em ganhos internos de competitividade.

"Não estamos focando em crescimento de preços ou do mercado, e sim muito naquilo que estamos trabalhando dentro de casa para buscar soluções e endereçar esse problema crônico de baixos resultados no Brasil."

Perguntas Frequentes

A Gerdau vai fechar unidades no Brasil?

A companhia anunciou a readequação da unidade de Recife, que deixará de produzir aço na aciaria para operar apenas com laminação. O plano completo de transformação será apresentado nos próximos meses.

O que é a transformação "bastante significativa" mencionada pela Gerdau?

É uma estratégia para aumentar a competitividade da operação brasileira, incluindo readequação de unidades, revisão do portfólio e investimentos direcionados, semelhante ao que foi feito nos Estados Unidos.

Como o aço importado afeta o consumidor final?

O aumento da penetração de importados pressiona as margens das siderúrgicas locais, o que pode levar a uma competição mais acirrada e, potencialmente, a preços mais competitivos para o consumidor final.

A Gerdau vai reduzir dividendos?

A administração afirmou que não pretende aumentar a alavancagem apenas para elevar dividendos ou recompras de ações. O foco está em redirecionar recursos para projetos de competitividade.

Quando os projetos de Miguel Burnier devem trazer resultados?

Os primeiros benefícios da expansão de Miguel Burnier devem começar a aparecer no quarto trimestre, reduzindo o custo de abastecimento da usina de Ouro Branco.

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