Novo CEO da Apple, John Ternus: por que subir sem mudar de empresa
John Ternus assume nesta terça-feira (1º) o cargo de CEO da Apple, após entrar na companhia em 2001, apenas quatro anos depois de se formar na Universidade da Pensilvânia. Ele integra um grupo seleto: Satya Nadella entrou na Microsoft em 1992, dois anos após o mestrado, e Andy Jassy ingressou na Amazon em 1997, 24 anos antes de assumir o comando. Três gigantes da tecnologia agora são lideradas por executivos que construíram suas carreiras majoritariamente dentro das próprias organizações.
Essas trajetórias contrariam um dos conselhos mais persistentes do mundo corporativo: o de que, para avançar, é preciso mudar de empresa. Durante boa parte dos últimos 30 anos, a ideia de lealdade profissional perdeu espaço, e a chamada "livre agência" passou a dominar os conselhos de carreira. Mas dados recentes sugerem que a realidade é diferente. Uma análise publicada em 2024 por Peter Cappelli e coautores, sobre os dez principais executivos da Fortune 100, mostrou que o executivo médio trabalhou para apenas três empregadores ao longo dos 28 anos até chegar ao topo, e estava havia 13 anos na empresa atual antes de alcançar a alta cúpula.
A mobilidade ascendente, ou seja, a passagem para cargos mais seniores, ocorre na maioria dos casos por mudanças internas. Um estudo com trabalhadores da Finlândia revelou que a probabilidade de avançar para um cargo mais sênior era quase seis vezes maior com promoção interna do que mudando de companhia. Isso não surpreende: as empresas tendem a assumir riscos com quem conhecem bem, e novos contratados enfrentam dificuldades para navegar por organizações desconhecidas.
É claro que mudar de empresa pode beneficiar uma carreira, especialmente para quem está em um emprego insatisfatório. Mas o conselho de "sair para subir" pode estar ao contrário. Quem espera se tornar o próximo John Ternus deve entender que pode sair ou permanecer e subir, mas é difícil fazer as duas coisas ao mesmo tempo. O ciclo sempre vira: a permanência volta a ser um ativo.
Para investidores e profissionais, o movimento sinaliza que a confiança construída ao longo do tempo ainda é um dos principais ativos de carreira, mesmo na era da mobilidade.