Calor e seca derrubam produção de champanhe na França
A produção de champanhe na França deve recuar 48% em 2026, para 1,34 milhão de hectolitros, segundo comunicado do Ministério da Agricultura. O número fica bem abaixo do registrado em 2025, em meio aos impactos do clima extremo sobre as colheitas.
O recuo é puxado pela redução da área de vinhedos e pela queda na produtividade após as altas temperaturas e a seca deste ano. A colheita nacional, com dados até 1º de setembro, deve ser uma das menores dos últimos 30 anos.
No total, a produção de vinho em 2026 é estimada em 34 milhões de hectolitros. Isso representa queda de 6% em relação ao ano anterior e de 17% ante a média dos últimos cinco anos.
O clima extremo tem provocado danos aos vinhedos na França, um dos maiores produtores de vinho do mundo, e em outros países nos últimos anos. Neste ano, a maioria das regiões produtoras começou a colheita mais cedo do que o habitual, por causa das altas temperaturas desde a primavera.
Na Borgonha, a variedade Pinot Noir foi particularmente afetada, com perdas superiores a 50%. Em Bordeaux, a produção deve crescer 10% em relação ao nível muito baixo de 2025, graças à melhora da produtividade. Ainda assim, fica 11% abaixo da média entre 2021 e 2025.
Os problemas climáticos se somam às dificuldades de uma indústria que já enfrenta demanda em queda. As exportações francesas de vinho e bebidas destiladas vêm recuando, pressionando a balança comercial de alimentos do país.
Na semana passada, o governo destinou mais de € 1 bilhão para apoiar agricultores prejudicados pelas ondas de calor e pelos incêndios florestais do verão. O valor reforça o impacto do clima sobre o setor, que agora lida com safra curta e consumo fraco.