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Motel de R$ 3 mil: Lush quer virar resort urbano e matar estigma

Um antigo motel de gestão familiar no bairro do Ipiranga, Zona Sul de São Paulo, virou o embrião de uma aposta ousada: afastar o estigma do setor para atrair investimentos e disputar espaço no tempo que casais reservam para lazer. Nasceu daí o Lush, motel de luxo com diárias que podem passar dos R$ 3 mil e receita por quarto que, segundo seus diretores, supera a média da hotelaria tradicional.

O negócio é um braço da LHG, empresa de gestão de motéis criada a partir do próprio Lush. Hoje, a companhia opera motéis próprios, administra empreendimentos de terceiros e presta consultoria a redes nos Estados Unidos e no Equador. "No começo, nós chamávamos o Lush de 'Urban Private Resort'. Era um slogan para mostrar esse conceito de tudo que um resort oferece em termos de entretenimento e lazer, mas no formato privativo dentro de uma cidade", conta Felipe Martinez, diretor da LHG.

Martinez e Leonardo Dib, também diretor, assumiram em 2010 a gestão de um motel do qual seus pais eram sócios. Fundado em 1990, o Concavo e Convexo seguia o estilo tradicional. A renovação geral abandonou o tema erótico e apostou em um "design lúdico". O quarto mais caro da primeira unidade tem piscina aquecida, sauna a vapor, cascatas, hidromassagem com cromoterapia e área externa com teto solar, sem fotos sensuais nas paredes.

A estratégia inclui períodos de uso mais longos, como dayuse (13h às 19h), pernoite (20h às 12h) e diária (15h às 12h do dia seguinte). Dados da Associação Brasileira de Motéis indicam que 85% dos frequentadores estão em relacionamentos estáveis. A LHG também desenvolveu uma plataforma de e-commerce para reservas, prática incomum no setor até poucos anos.

O sucesso da primeira unidade abriu caminho em 2017. "Na hotelaria já existem empresas que fazem administração para investidores, mas isso não existia na motelaria", diz Martinez. A LHG abriu outra unidade do Lush na Lapa e o Andar de Cima, híbrido de hotel e motel no prédio da Love Cabaret, no centro. O modelo "asset light" levou a gestão de motéis em Brasília e Campinas, com remuneração baseada em participação nos lucros, além de consultoria para redes no Equador e nos EUA.

Em 2025, o faturamento da LHG foi de R$ 54 milhões, com projeção de R$ 68 milhões em 2026. A margem EBITDA em unidades maduras fica em torno de 35%. A rotatividade dos quartos gera ocupação de 150% a 160%, contra 70% dos hotéis tradicionais. Com ticket médio de R$ 700, o RevPAR do Lush chega a R$ 450, ante R$ 280 de um hotel com diária de R$ 400. A companhia negocia com investidores ou fundos imobiliários: "Estamos falando de R$ 100 milhões para um pipeline de 7 a 10 unidades nos três anos seguintes ao investimento", afirma Dib.

Rubens Athayde
Economista de mercado
Economista de mercado.
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