Moraes nega visita de Milei em prisão domiciliar de Bolsonaro
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, negou ao ex-presidente Jair Bolsonaro autorização para receber o presidente argentino Javier Milei em sua casa, onde cumpre prisão domiciliar. A decisão mantém suspensão de visitas por trinta dias.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) uma autorização para receber o presidente argentino Javier Milei e uma delegação do governo do país vizinho no próximo dia 25, às 16h, em sua casa, onde cumpre prisão domiciliar.
Segundo Moraes, a decisão da última sexta-feira (17) que manteve o direito de Bolsonaro à prisão domiciliar, mas proibiu visitas e manifestações políticas, prejudica o pedido da defesa, "uma vez que, salvo as visitas permanentes médicas, fisioterapêuticas e dos advogados, as demais visitas estão em suspensão pelo prazo de trinta dias".
O que motivou a proibição de visitas
A decisão de sexta foi determinada pelo próprio Moraes, que concluiu que o ex-presidente descumpriu medidas cautelares após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ler nas redes sociais uma carta em que Bolsonaro o coloca como porta-voz.
Após questionamento de Moraes sobre a possível violação da determinação de não se manifestar nas redes, inclusive por terceiros, a defesa de Bolsonaro alegou que ele não sabia que a carta seria "publicizada". Moraes, porém, rejeitou os argumentos.
A defesa e o argumento médico
No pedido pela autorização da visita, a defesa argumentou que a suspensão temporária de visitas estabelecida por Moraes antes mesmo da decisão desta sexta encontrava fundamento nas circunstâncias clínicas então vivenciadas pelo ex-presidente, "notadamente na necessidade de preservação de ambiente controlado durante o período de recuperação de broncopneumonia, com vistas à preservação de infecções e demais intercorrências médicas".
"Assim, embora a decisão posteriormente proferida tenha determinado a manutenção, em termos gerais, das condições anteriormente fixadas, afigura-se plenamente justificável que a autorização específica ora requerida seja apreciada à luz das circunstâncias atualmente existentes, especialmente porque o fundamento médico que ensejou aquela restrição possuía caráter nitidamente transitório", argumenta a defesa.
Quem participaria da visita
Além de Milei, participariam da visita, segundo a defesa de Bolsonaro, Karina Milei, secretária Geral da Presidência e irmã do Javier Milei, Pablo Quirino, ministro das Relações Exteriores, e um intérprete. Milei já disse que virá ao Brasil para apoiar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
O que diz a decisão de Moraes
Em decisão da última sexta-feira, Moraes manteve a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, mas proibiu manifestações políticas e visitas após concluir que o ex-presidente violou medidas cautelares após Flávio ler uma carta sua no dia 11 deste mês.
"As alegações da Defesa não afastam a claríssima confissão de Flávio Nantes Bolsonaro, no sentido do pleno conhecimento de Jair Messias Bolsonaro sobre a divulgação: 'É imperdível, um recado muito importante que ele quer dar a toda a nossa nação'", destacou Moraes, em referência à fala de Flávio Bolsonaro, que é também advogado do pai.
Segundo o relator, é "patente, portanto, o desrespeito de Jair Messias Bolsonaro à medida cautelar, cuja fiel observância é requisito obrigatório para o cumprimento da prisão domiciliar humanitária". A PGR também apontou violação da medida cautelar, mas defendeu a manutenção da prisão domiciliar.
Perguntas Frequentes
Por que Moraes negou a visita de Milei?
Porque a decisão de sexta-feira (17) manteve a prisão domiciliar de Bolsonaro, mas proibiu visitas e manifestações políticas por trinta dias, prejudicando o pedido da defesa.
Quem participaria da visita a Bolsonaro?
Além de Milei, participariam Karina Milei, secretária Geral da Presidência, Pablo Quirino, ministro das Relações Exteriores, e um intérprete.
O que motivou a proibição de visitas?
Moraes concluiu que Bolsonaro descumpriu medidas cautelares após Flávio Bolsonaro ler nas redes sociais uma carta em que o ex-presidente o coloca como porta-voz.
A defesa de Bolsonaro recorreu da decisão?
O Estadão entrou em contato com a defesa de Bolsonaro, mas ainda não recebeu retorno.