Moraes analisou contrato de R$ 131 mi da mulher com Master
A advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o marido foi consultado sobre o contrato assinado entre o seu escritório e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, que previa o pagamento de R$ 131 milhões em três anos. Em nota, Viviane confirmou que "solicitou informações" por meio da área de compliance do seu escritório a Moraes sobre "eventuais impedimentos legais para a contratação nos termos propostos na minuta contratual".
Metadados do arquivo do contrato, enviado por WhatsApp a Vorcaro, mostram que o documento foi editado por um usuário identificado como "Ministro Alexandre de Moraes", segundo revelou o jornal O Estado de S. Paulo. Segundo Viviane, o contrato só foi assinado depois que se comprovou a "inexistência" de "qualquer impedimento legal" por ela ser esposa do ministro. "Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o Ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados", diz o texto.
O contrato milionário foi revelado pela coluna de Malu Gaspar, do Globo, em dezembro de 2025. O documento previa remuneração de R$ 3,6 milhões mensais por 36 meses a partir do início de 2024. Na aba "propriedades" do arquivo, consta uma edição atribuída ao perfil "Ministro Alexandre de Moraes" às 23h04 de 15 de janeiro de 2024, cerca de 1h40 depois de Vorcaro remeter o documento a Viviane. O autor do documento seria Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório de Viviane.
Segundo diálogos interceptados pela PF, uma minuta foi enviada por Viviane a Vorcaro em 17 de janeiro de 2024. "Bom dia! Segue a minuta do contrato. Abraço", escreveu ela. Vorcaro respondeu: "Oi, tudo bem? Como podemos proceder na assinatura?". Os pagamentos foram paralisados após a primeira prisão do banqueiro, em 17 de novembro de 2025, depois ele foi solto e novamente detido em março de 2026. Parte dos repasses consta na declaração de imposto de renda do Master, segundo documento enviado à CPI do Crime Organizado do Senado.
Em março, o escritório de Viviane afirmou que, durante o contrato, produziu 36 pareceres e realizou 94 reuniões com integrantes do Master. O contrato tem escopo amplo: representar o Master onde for necessário, sem especificar uma única causa. Um dos processos em que Viviane atuou foi uma queixa-crime de abril de 2024 contra o investidor Vladimir Timerman, da Esh Capital, que tem litígio com Nelson Tanure, acionista da Gafisa.
Em outra frente, o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) que se manifeste sobre relatório da PF detalhando mensagens entre Moraes e Vorcaro. Mendonça deu prazo de cinco dias para manifestação do procurador-geral, Paulo Gonet. O relatório foi produzido a partir de mensagens no celular de Vorcaro, em que ele pede proteção de Andrei e Paulo, referência ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e a Gonet. Vorcaro foi preso em 17 de novembro, no aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para Dubai.