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Jetour vê com bons olhos fábrica compartilhada no Brasil

Montadora chinesa Jetour vê com bons olhos opção por fábrica compartilhada no Brasil, diz diretor

A montadora chinesa Jetour avalia opções para ter uma linha de produção no Brasil, incluindo a possibilidade de dividir espaço ocioso de instalações de grupos já estabelecidos no país. A informação foi dada pelo diretor de marketing para o Brasil, Henrique Sampaio, em entrevista à Reuters. A marca, que começou a vender veículos no país em março deste ano, já conta com cerca de 60 concessionárias e planeja chegar a 100 até o final de 2026.

O que significa uma fábrica compartilhada no Brasil?

Para o consumidor, a decisão pode acelerar a chegada de novos modelos e ampliar a oferta de veículos híbridos e elétricos no mercado. Para a montadora, é uma forma de reduzir custos e ganhar tempo, como explica o executivo: "É uma estratégia inteligente, boa para ambos os lados, principalmente se não forem competidores no mesmo segmento".

Como a Jetour pretende produzir no Brasil?

Sampaio confirmou que "sim, é uma possibilidade fazer associação com outra marca para a produção" no Brasil. Ele lembrou que, na África do Sul, a Jetour já tem parceria com a japonesa Nissan. A estratégia segue o movimento de outras marcas chinesas que chegam ao país ocupando fábricas ociosas.

Questionado se a Jetour negocia com a prefeitura de Jacareí (SP) para ocupar a fábrica da Caoa Chery, parada desde 2022, o diretor não se manifestou.

Investimento de R$ 400 milhões: o que está previsto

A Jetour programou investimento de R$ 400 milhões no Brasil até o final de 2027. Esse valor, segundo Sampaio, não inclui produção local. Ou seja, o montante cobre estrutura de vendas, marketing e expansão da rede.

Por que a pressa para se consolidar?

O executivo afirmou que a Jetour "está com o pé no acelerador quase furando o chão" para se fixar na cabeça dos consumidores. Ele justifica: "Quem já chegou no Brasil sabe que está correndo contra o relógio. Se você não consegue se consolidar agora, daqui três meses vai estar brigando com oito marcas e depois de seis meses com 15".

O mercado brasileiro é visto como porta de entrada para a América Latina. "O Brasil é mercado que estabelece tendência na América Latina. É muito difícil que uma marca não consiga emplacar nos outros países quando dá certo no Brasil", disse Sampaio.

Concorrência acirrada: quem já está no páreo

Além das marcas presentes há décadas, a Jetour disputa espaço com grupos chineses como BYD e GWM, que montaram fábricas próprias em instalações antes ocupadas por outras montadoras; Geely, que comprou 30% da operação brasileira da Renault; Chery, parceira da Caoa; GAC; Leapmotor, com parceria com a Stellantis no Nordeste; e Changan, outra parceria da Caoa.

O cenário reflete a pressão do mercado chinês. "Há 146 marcas de carros na China. A competição é muito acirrada lá e isso traz margens muito complexas. Eles sabem que para ser mais competitivo têm que sair do país", afirmou Sampaio.

O que a Jetour já vende no Brasil hoje

A marca contabiliza 4 mil veículos vendidos no Brasil, em sua maioria grandes utilitários de motorização híbrida. A previsão é lançar seis modelos neste ano, dos quais quatro já foram apresentados. O quinto, o utilitário híbrido plug-in de grande porte G700, será apresentado ainda neste mês, semanas depois do lançamento do jipão T2 na versão 4×4.

A ideia é ter pelo menos um carro inédito por ano no Brasil nos próximos cinco anos.

O mercado brasileiro em números

Segundo dados da Jetour, o Brasil é o sexto maior mercado de veículos do mundo, embora as vendas estejam longe do recorde de 3,8 milhões de unidades emplacadas em 2012. A previsão do setor para este ano é de pouco abaixo de 3 milhões de unidades.

A maior parte das novas marcas chinesas que operam no país tem menos de cinco anos de atividades e já disputam o topo da tabela com Fiat, GM, Volkswagen e Toyota.

O que esperar dos próximos passos da Jetour

A consolidação da marca depende da velocidade de expansão. "O mais importante é consolidar a marca. A marca que conseguir chegar mais rápido e fizer seu nome mais depressa, essa marca vai ficar na cabeça do consumidor mais tempo", concluiu Sampaio.

Para o investidor e o consumidor, a leitura é clara: a Jetour aposta no Brasil como plataforma de crescimento regional, com fábrica compartilhada como atalho possível. O ciclo sempre vira, e quem chega cedo tende a colher os frutos.

Perguntas Frequentes

A Jetour vai produzir carros no Brasil?

A possibilidade existe. O diretor de marketing Henrique Sampaio confirmou que a marca avalia associação com outra montadora para produção local, seguindo o exemplo de rivais chinesas.

Onde a Jetour pretende instalar fábrica?

Não há confirmação. Sampaio não se manifestou sobre negociação com a prefeitura de Jacareí (SP) para ocupar a fábrica da Caoa Chery, parada desde 2022.

Qual o investimento previsto pela Jetour no Brasil?

A montadora programou R$ 400 milhões em investimento até o final de 2027, valor que não inclui produção local.

Quantos carros a Jetour já vendeu no Brasil?

A marca soma 4 mil veículos vendidos, a maioria grandes utilitários híbridos, desde o início das vendas em março deste ano.

Quais modelos a Jetour vai lançar em 2026?

A marca pretende lançar seis modelos no Brasil neste ano. Quatro já foram apresentados; o quinto, o utilitário híbrido plug-in G700, chega ainda neste mês.

Rubens Athayde
Economista de mercado
Economista de mercado.
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