Economia

Ministro chama tarifa dos EUA de "indevida" e promete reação

ResumoO ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, classificou como "indevida" a tarifa de 12,5% imposta pelos EUA sobre produtos brasileiros. A medida, baseada em argumentos considerados irreais, pode elevar preços de calçados, máquinas e confecções em até 37,5%. O governo brasileiro promete reação à decisão norte-americana.

O ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, classificou como "indevida" a nova tarifa de 12,5% imposta pelos EUA sobre produtos brasileiros, baseada em argumentos que "não são reais". A medida pode elevar preços de calçados, máquinas e confecções em até 37,5%.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 24 de julho de 2026
Ministro chama tarifa dos EUA de "indevida" e promete reação

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, classificou como "indevida" a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em entrevista coletiva, ele afirmou que a medida se baseia em argumentos que "não são reais". A sobretaxa foi anunciada nesta quinta-feira (23) pelo governo estadunidense sob a justificativa de que o Brasil não adota mecanismos suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. A alíquota entra em vigor nesta sexta-feira (24) e, para parte das exportações brasileiras, será somada à tarifa de 25% que começou a valer nesta semana.

Como a tarifa de 12,5% dos EUA afeta o bolso do brasileiro?

Para o consumidor final, o impacto pode vir na forma de preços mais altos em diversos produtos. Segundo o ministro, setores como calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes, confecções e produtos químicos (exceto farmacêuticos) estarão sujeitos a uma tributação acumulada de 37,5%. Isso porque a nova tarifa de 12,5% se soma à de 25% que já estava em vigor. "Lamentavelmente, muitos setores estarão sujeitos à dupla tributação, à dupla taxação", destacou Márcio Elias Rosa.

Quais produtos ficam mais caros?

  • Calçados
  • Máquinas e equipamentos
  • Peças e componentes
  • Confecções
  • Produtos químicos não farmacêuticos

Esses itens podem sofrer reajuste no mercado interno, já que a elevação de custos para exportadores tende a ser repassada ao preço final. O MDIC informou que ainda não existe uma lista completa dos produtos que sofrerão dupla tarifação. A pasta continuará nos próximos dias fazendo o levantamento de todos os itens afetados simultaneamente pelas sobretaxas de 25% e de 12,5%.

Produtos isentos: o que não será afetado?

Segundo o MDIC, produtos como carne bovina, café, suco de laranja e frutas permanecem fora tanto da tarifa de 25% quanto da nova sobretaxa de 12,5%. Ao todo, cerca de 2 mil produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos ficaram isentos das duas medidas. Isso significa que, para esses itens, o consumidor não deve sentir impacto direto no preço.

A reação do governo: negociação e reciprocidade

O ministro afirmou que o governo brasileiro buscará reverter a decisão por meio de negociações, mas não descarta adotar medidas de reciprocidade. "O Brasil não pode renunciar à possibilidade de usar o instrumento da reciprocidade. Seria abrir mão de um direito que protege a economia brasileira e os interesses do Brasil", disse. A Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada neste ano, permite resposta a medidas comerciais consideradas injustificadas.

A prioridade do governo neste momento é apoiar os setores mais afetados, ampliar a busca por novos mercados e preparar a estratégia jurídica e diplomática do Brasil. O ministro informou que o governo pretende retomar as conversas com as autoridades americanas no próximo mês, após concluir o levantamento dos impactos da nova medida sobre as exportações brasileiras.

Crédito disponível para empresas: Brasil Soberano

Enquanto as negociações avançam, empresas atingidas poderão contar com recursos do programa Brasil Soberano, que disponibilizou R$ 18,5 bilhões em crédito para capital de giro, investimentos, inovação e abertura de novos mercados. A medida visa mitigar os efeitos imediatos da tarifa sobre o setor produtivo.

O argumento do Brasil contra a tarifa

Márcio Elias Rosa rejeitou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos. "O Brasil tem compromissos históricos com o combate ao trabalho forçado, com a prevenção, o controle, a fiscalização e o acolhimento das vítimas. O Brasil é signatário de todos os instrumentos da Organização Internacional do Trabalho. Não abona nem apoia essa prática e, mais do que isso, tem compromisso com os direitos humanos e com o trabalho digno", declarou. Para ele, a nova tarifa foi construída sobre uma premissa equivocada. "É uma tarifa indevida, baseada em fatos que não são reais", acrescentou.

Perguntas Frequentes

O que é a tarifa de 12,5% imposta pelos EUA?

É uma sobretaxa sobre produtos brasileiros, anunciada em 23 de julho de 2026, sob a justificativa de combate ao trabalho forçado. O ministro Márcio Elias Rosa a classificou como "indevida".

Quais setores serão mais afetados pela tarifa?

Calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes, confecções e produtos químicos não farmacêuticos, que podem sofrer tributação acumulada de 37,5%.

O que o Brasil pode fazer para retaliar?

O governo pode usar a Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada neste ano, que permite resposta a medidas comerciais consideradas injustificadas. A prioridade, porém, é negociar.

Existe ajuda para empresas afetadas?

Sim. O programa Brasil Soberano disponibilizou R$ 18,5 bilhões em crédito para capital de giro, investimentos, inovação e abertura de novos mercados.

Quais produtos ficam isentos das tarifas?

Carne bovina, café, suco de laranja e frutas, além de cerca de 2 mil outros produtos exportados pelo Brasil aos EUA.

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