Economia

Augusto Cury, IA e Agro: impressões do Agro Times

ResumoAugusto Cury, psiquiatra e escritor, defendeu em entrevista ao Agro Times usinas de etanol de milho e seguro rural de até 50%, mas deixou lacunas sobre Embrapa, IAC e atração de capital estrangeiro. A conversa de quase 50 minutos abordou inteligência artificial e agronegócio, segundo impressões publicadas pelo veículo.

Em quase 50 minutos de conversa, Augusto Cury defendeu usinas de etanol de milho e seguro rural de até 50%, mas deixou lacunas sobre Embrapa, IAC e atração de capital estrangeiro, segundo o Agro Times.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 14 de setembro de 2026
Augusto Cury, IA e Agro: impressões do Agro Times

O Agro Times publicou, nesta semana, uma coluna assinada por um jornalista que conversou pela primeira vez com um candidato à Presidência da República. O entrevistado foi Augusto Cury, descrito como médico, escritor e produtor rural. A pauta central da conversa: quem seria o candidato do agronegócio, setor que responde por cerca de um quarto do PIB brasileiro pib brasileiro agro.

O encontro durou quase 50 minutos. Cury defendeu transformar parte do semiárido brasileiro em polo de fruticultura e fazer o país ter pelo menos 100 usinas de etanol de milho. Também mencionou converter usinas de cana em unidades híbridas, capazes de processar milho durante a entressafra, e construir uma cadeia integrada entre milho, etanol, DDGS, produção animal e agroindústria.

A coluna registra elogios pontuais, mas aponta lacunas. Ficou pouco claro quanto Cury destinaria à Embrapa e como pretende fortalecer a estatal e o Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Também não foi explicado como os US$ 200 bilhões em capital estrangeiro prometidos pelo candidato seriam atraídos e direcionados ao setor. Cury igualmente não detalhou como elevaria, de forma fiscalmente sustentável, a cobertura do seguro rural dos atuais menos de 3%, número citado por ele, para um intervalo entre 30% e 50%.

Faltaram respostas objetivas sobre como reduzir os preços dos alimentos no mercado interno, elevar a produtividade da pecuária bovina e estimular o consumo de biocombustíveis pela população. O autor classificou parte das propostas como superficiais e, no trocadilho, "artificiais".

A inteligência artificial dominou parte da conversa. Cury mencionou o termo uma dezena de vezes e, em cena descrita como inesperada e quase cômica, interrompeu a entrevista para demonstrar o uso de seu próprio chatbot no celular. Perguntou à ferramenta sobre o futuro do agronegócio, os impactos da IA e como o Brasil deveria se preparar para essa transformação. Depois da resposta, declarou: "Parabéns! O aluno está ficando melhor que o mestre." A IA respondeu: "Eu fico honrado, mas o mestre continua sendo referência. Seguimos aprendendo juntos, cada um puxando o outro para cima."

O candidato também comentou declaração atribuída a Elon Musk: "Elon Musk, na sua santa genialidade, diz: 'Você trabalha se quiser daqui a quatro ou cinco anos'. Mas, na sua ingenuidade, ele não fala quem vai pagar a conta desses desempregados, se os governos estão colapsados, se tudo vai cair de preço e a arrecadação vai diminuir. Eu sou muito preocupado com o caminho que a humanidade está trilhando", afirmou Cury.

Em diferentes momentos da campanha, Cury afirmou que "uma pessoa que nunca plantou uma horta não pode definir o futuro da agricultura", crítica que parece direcionada principalmente aos candidatos Lula e Flávio Bolsonaro. O autor da coluna ressalva que é impossível abordar todas as nuances do agronegócio em uma única conversa e valoriza o fato de Cury ter reservado tempo de agenda, algo que considera raro na corrida eleitoral, que coleciona fujões de debates.

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