Milei endurece tom sobre Malvinas e ganha apoio contra projeto de petróleo
Javier Milei endurece o discurso sobre as Malvinas e promete projeto de lei para punir empresas que exploram petróleo na região. A medida ganhou apoio popular, mas especialistas apontam desafios. Entenda o cenário.
O presidente da Argentina, Javier Milei, endureceu o tom sobre as Ilhas Malvinas e prometeu apresentar ao Congresso um projeto de lei para punir empresas que exploram petróleo na região. A mudança de postura, anunciada em discurso televisionado na quinta-feira, ocorre em meio a um projeto de exploração no campo petrolífero Sea Lion, ao norte das ilhas, operado pela Navitas Petroleum, com 35% da Rockhopper Exploration.
A reação popular foi amplamente favorável, segundo relatos de moradores de Buenos Aires. Mariana Hamicha, contadora de 49 anos, disse que a postura mais firme sinaliza que a Argentina está defendendo seus interesses. "Acho que assumir uma postura firme, especialmente no que diz respeito à exploração por empresas estrangeiras e à extração de petróleo, pode ser uma forma de traçar um limite", afirmou.
A Argentina reivindica soberania sobre as ilhas há quase dois séculos, mas os britânicos as controlam desde 1833. O Reino Unido afirmou na sexta-feira que sua posição é "inabalável". Como o país não administra o território, não pode impedir diretamente a perfuração no local, mas o governo Milei prometeu endurecer regras contra empresas que atuam na região.
Especialistas veem a mudança como uma resposta a pressões internas e externas. Juan Battaleme, ex-secretário de assuntos internacionais da Defesa, disse que "Milei entendeu que este é o momento de agir". Candela Mascetti, pesquisadora da Escola Superior de Guerra, classificou a postura como "contundente", algo inédito no governo. Benjamin Gedan, do Stimson Center, ligou a linha mais dura aos baixos índices de aprovação e às sugestões de Donald Trump de reconsiderar a posição dos EUA na disputa.
Apesar do apoio, críticos apontam contradições. Milei já elogiou Margaret Thatcher, cujo governo derrotou a Argentina na guerra de 1982, e afirmou que espera que os habitantes das ilhas "um dia decidam votar em nós", ecoando a ênfase britânica na autodeterminação. Guillermo Carmona, que supervisionou a política das Malvinas no governo anterior, disse que as medidas são positivas, mas insuficientes, e cobrou pressão sobre Israel, dado o forte vínculo das empresas com investidores israelenses.
As empresas envolvidas no projeto Sea Lion afirmaram que possuem licenças válidas e que os comentários de Milei não afetarão o cronograma, apesar da forte queda nas ações na sexta-feira. O governo argentino não forneceu detalhes adicionais sobre o projeto de lei, que também prevê a criação de um conselho de segurança nacional e mais recursos para a base naval na Terra do Fogo.