Milei aumenta salários de militares; contrabando cresce
O governo de Javier Milei destinará US$ 33 milhões ao aumento dos salários das Forças Armadas e de Segurança, em resposta a rendimentos que ficaram abaixo da inflação e levaram militares a se endividar e a acumular múltiplos empregos. O reajuste de 12,22% vale para todo o pessoal das Forças Armadas e aposentados, entre setembro e dezembro de 2026, enquanto agentes da Gendarmaria Nacional, Prefectura Naval, Polícia Federal, Serviço Penitenciário Federal e Polícia de Segurança Aeroportuária terão ganhos de 10% a 30% no salário básico.
Segundo comunicado do gabinete de imprensa da presidência, as medidas buscam "fortalecer e recuperar as Forças Federais de Segurança e as Forças Armadas". O anúncio ocorre depois de o presidente liberal, eleito em 2023, prometer reestruturar essas forças, que ele atribui a um suposto desfinanciamento dos governos de centro-esquerda anteriores.
Apesar do plano de equipamento, os salários militares acumularam perda média de 28% frente à inflação entre o fim de 2023 e os primeiros meses deste ano. Até o reajuste, um cabo do Exército recebia US$ 566 de salário básico, enquanto uma família típica precisava do dobro para não cair na pobreza, segundo o INDEC de julho. Em junho, o Ministério da Defesa flexibilizou a dedicação exclusiva para permitir atividades no setor privado, com inflação de 2,1% em julho e 19,3% no ano. Consultorias privadas que analisam dados do Banco Central apontam que 25% dos militares e agentes federais não conseguem arcar com dívidas.
Paralelamente, o Financial Times reporta crescimento do contrabando de bebidas, cigarros, roupas e celulares. Câmaras de comércio estimam que até 40% das cervejas e 30% dos pneus vendidos no país são contrabandeados, e a venda legal de celulares importados subiu 7% desde a posse de Milei. Analistas ligam o fluxo à redução de burocracia e à equiparação do câmbio oficial com o "dólar blue". Um importador de calçados, sob anonimato, disse ao jornal: "Aqueles de nós que pagam impostos estão sendo prejudicados porque não podemos competir."
O impacto para quem acompanha a economia argentina é direto: o reajuste tenta recompor o poder de compra, mas o contrabando cresce como efeito colateral da abertura comercial. Para investidores, o sinal é de que Milei mantém o foco no ajuste fiscal, ainda que a renda das famílias siga pressionada pela inflação e pela inadimplência.