Economia

Mercado livre de energia reduz conta de luz de 73% das indústrias, aponta CNI

ResumoPesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que 73% das indústrias brasileiras que migraram para o mercado livre de energia registraram redução na conta de luz. O modelo já conta com adesão de 41% das empresas desde 2024, indicando impacto positivo na competitividade do setor industrial.

Abertura do mercado livre de energia já reduz custos da indústria brasileira. Pesquisa da CNI mostra que 73% das empresas que migraram registraram queda na conta de luz, enquanto 41% já aderiram ao modelo desde 2024.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 30 de julho de 2026
Mercado livre de energia reduz conta de luz de 73% das indústrias, aponta CNI

A abertura do mercado livre de energia já começa a produzir efeitos sobre os custos da indústria brasileira. Segundo a Sondagem Especial Indústria e Energia 2026, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 73% das empresas que migraram do mercado cativo para o livre registraram redução na conta de energia elétrica.

O mercado livre de energia reduziu a conta de luz de 73% das indústrias que migraram do mercado cativo, segundo a Sondagem Especial Indústria e Energia 2026, da CNI. A pesquisa mostra que 41% das indústrias brasileiras já aderiram ao modelo desde 2024, quando a regra do Ministério de Minas e Energia ampliou o acesso.

O que mudou com a abertura do mercado livre de energia

A pesquisa revela que 41% das indústrias brasileiras já aderiram ao mercado livre desde 2024, quando entrou em vigor a regra do Ministério de Minas e Energia que ampliou o acesso de consumidores ao ambiente de livre contratação. O movimento reflete a busca por alternativas para enfrentar um dos principais custos da produção.

Entre as empresas atendidas em baixa tensão que permanecem no mercado regulado, 37% afirmam ter interesse em migrar, indicando que a abertura gradual do setor ainda deve impulsionar novas adesões nos próximos anos.

Impacto do custo de energia na competitividade industrial

Segundo Roberto Wagner Pereira, gerente de Energia da CNI, o levantamento confirma que o custo da eletricidade se tornou fator estratégico para a competitividade industrial. "A pesquisa mostra a importância desse custo para a competitividade da indústria e que o caminho escolhido pelas empresas para diminuir as tarifas passa pela migração ao mercado livre", afirma.

O estudo mostra que a energia elétrica é o principal insumo energético para 79% das indústrias brasileiras. Não por acaso, 83% dos empresários consideram o custo da energia decisivo para a competitividade, enquanto 67% afirmam que o aumento das tarifas impacta diretamente os custos de produção.

Como as indústrias estão reduzindo os gastos com energia

Nos últimos 12 meses, 62% das empresas disseram ter sentido os efeitos da variação dos preços da energia elétrica. Embora a maior parte relate reajustes relativamente moderados, o impacto foi suficiente para estimular investimentos voltados à redução das despesas.

Segundo a pesquisa, 64% das indústrias adotaram alguma medida para reduzir os gastos com energia. A principal estratégia foi justamente a migração para o mercado livre, opção escolhida por 30% das empresas. Outras 13% investiram em projetos de autogeração ou eficiência energética, enquanto 28% afirmaram não ter realizado nenhuma iniciativa para otimizar o consumo.

Diferenças por porte e setor industrial

A pesquisa mostra que a adesão ao mercado livre ainda varia conforme o porte da empresa. Entre as grandes indústrias atendidas em alta tensão, 63% já compram energia nesse ambiente de contratação livre. Nas pequenas empresas, o percentual cai para 22%, enquanto 45% ainda permanecem no mercado cativo.

Para a CNI, esses números indicam que ainda existe espaço significativo para expansão da modalidade à medida que mais consumidores passem a atender aos critérios regulatórios.

Além da migração para o mercado livre, parte da indústria também vem apostando em geração própria de energia e em ações para reduzir o consumo. O setor de produtos de borracha lidera os investimentos em autogeração, com 25% das empresas, e também aparece entre os que mais migraram para o mercado livre (38%).

Já a indústria calçadista foi a que apresentou maior adesão ao ambiente de livre contratação, com 47% das empresas, enquanto o segmento de equipamentos de informática e produtos eletrônicos se destacou pelos investimentos em eficiência energética, realizados por 25% das companhias.

O que falta para o setor elétrico brasileiro

Segundo Pereira, além da ampliação do mercado livre, o país ainda precisa avançar em mudanças estruturais no setor elétrico. "Precisamos melhorar o sinal de preços com tarifas mais dinâmicas, que reflitam a geração, o horário e a demanda dos consumidores. Também é imprescindível rever a quantidade de subsídios que encarece a conta de energia", disse.

Na avaliação da CNI, a tendência é que a abertura gradual do mercado livre continue ampliando as alternativas para a indústria reduzir custos em um cenário de energia mais cara e maior competição internacional.

Metodologia da pesquisa

A Sondagem Especial Indústria e Energia foi realizada em abril pela CNI, junto a 1.498 indústrias dos setores extrativo e de transformação, sendo 601 pequenas, 529 médias e 368 grandes empresas.

Perguntas Frequentes

O que é o mercado livre de energia?

É o ambiente onde consumidores podem escolher livremente seu fornecedor de energia elétrica, negociando preços e condições contratuais, diferente do mercado cativo onde a distribuidora local define as tarifas.

Quem pode migrar para o mercado livre?

Desde 2024, a regra do Ministério de Minas e Energia ampliou o acesso. Grandes indústrias em alta tensão lideram a adesão, mas consumidores de menor porte também podem migrar conforme os critérios regulatórios.

A migração para o mercado livre reduz a conta de luz?

Sim. Segundo a CNI, 73% das indústrias que migraram registraram redução na conta de energia elétrica.

Qual o principal insumo energético das indústrias?

A energia elétrica é o principal insumo energético para 79% das indústrias brasileiras, segundo a pesquisa da CNI.

Quantas indústrias já aderiram ao mercado livre?

41% das indústrias brasileiras já aderiram ao mercado livre desde 2024, aponta a Sondagem Especial da CNI.

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