Mendonça nega remoção de vídeo de Flávio com IA
O ministro André Mendonça, do TSE, negou liminar que pedia a remoção de um vídeo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) gerado por IA e inspirado em Top Gun. A decisão foi divulgada nesta terça-feira (4).
Mendonça nega remoção de vídeo de Flávio inspirado em 'Top Gun' e gerado por IA
O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou nesta terça-feira (4) pedido de liminar para retirar do ar um vídeo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) gerado por Inteligência Artificial. O vídeo copia o estilo do filme "Top Gun" e Flávio aparece como piloto de avião caça.
O que diz a decisão do TSE?
Na decisão, Mendonça afirma que a Justiça Eleitoral deve ter mínima interferência no debate público, sobretudo em manifestações políticas contra agentes públicos e partidos. Segundo o ministro, a crítica política, "ainda que ácida, contundente, incômoda ou desagradável", integra o debate democrático.
O ministro sustenta que o vídeo não atribui ao PT fato criminoso específico, nem vínculo orgânico, financiamento ou participação em atividades das facções citadas. Para Mendonça, a narrativa ficcional e a estética de animação por IA enfraquecem a tese de que o eleitor médio seria levado a crer em uma relação concreta entre o partido e o crime organizado.
Mendonça também argumenta que o uso de IA não torna o conteúdo ilícito por si só. O ministro observa que o vídeo indica ter sido produzido por Inteligência Artificial, conforme exige resolução do TSE.
Quem pediu a remoção e por quê?
A Federação Brasil da Esperança (Fé Brasil), agrupamento formado pelo PT, PV e PCdoB, ajuizou a representação no TSE no dia 18 de junho contra o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. A coligação pedia, além da remoção imediata do vídeo das redes sociais, uma multa de R$ 30 mil.
Na representação, os advogados da Fé Brasil argumentam que a ilicitude do vídeo se consolida quando a lancha "petista" aparece com a mesma estética visual e cores das facções criminosas. Eles classificam o conteúdo como um "ilícito ataque à honra do Partido dos Trabalhadores" e de "vinculação falsa, maliciosa e dolosa" às duas maiores organizações criminosas do País.
"Trata-se, portanto, de caso patente de propaganda eleitoral negativa, pautada não pela crítica política ácida ou pelo dissenso ideológico, mas pela difamação rasteira", afirma o documento que embasou a ação.
O que mostra o vídeo?
A peça publicitária que motivou a ação mostra Flávio, ao lado de Jair Bolsonaro, pilotando um avião militar pintado com a bandeira e cores do Brasil. Eles aparecem sobrevoando o mar. Os "pilotos" avistam embarcações identificadas como "PCC" e "CV", as organizações criminosas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho. O dublê virtual de Flávio deixa o cockpit para usar uma metralhadora e destruir os barcos.
Após troca de tiros e explosões, uma embarcação identificada como "PT" aparece fugindo da mira. A trilha sonora é "Danger Zone", de Kenny Loggins, símbolo do filme "Top Gun - Ases Indomáveis", de 1986. A publicação anunciava o plano "Brasil sem Medo", que reúne propostas de Flávio para a segurança pública.
Por que a Justiça Eleitoral não interferiu?
Mendonça considera que a aproximação visual entre o PT e as organizações criminosas se insere no campo da linguagem hiperbólica (exagerada), sem imputação factual determinada.
"A Justiça Eleitoral deve coibir a divulgação de fatos sabidamente inverídicos e de imputações desinformativas graves. Entretanto, não lhe cabe, em sede cautelar, interditar o debate político sobre a eficiência, os efeitos ou as consequências de políticas públicas de segurança defendidas por partidos ou agentes públicos", afirma a decisão.
Campanha de Flávio rebate ação
Em nota, a campanha de Flávio Bolsonaro classificou a ação como tentativa de "censura" e defendeu o vídeo dizendo que "incomoda quem não se importa com a segurança pública nacional". análise de decisões do TSE
Perguntas Frequentes
O vídeo de Flávio Bolsonaro foi retirado do ar?
Não. O ministro André Mendonça, do TSE, negou pedido de liminar que pedia a remoção do vídeo. como funciona liminar no TSE
Quem pediu a remoção do vídeo?
A Federação Brasil da Esperança (Fé Brasil), formada por PT, PV e PCdoB, ajuizou a representação no TSE.
Qual era a multa pedida pela coligação?
A coligação pedia multa de R$ 30 mil, além da remoção imediata do vídeo das redes sociais.
O uso de IA torna o vídeo ilegal?
Segundo Mendonça, não. O ministro argumenta que o uso de IA não torna o conteúdo ilícito por si só, desde que haja indicação de produção por IA, conforme exige resolução do TSE.