Mendonça diz a juízes evangélicos que viveu 'períodos de infelicidade' no STF
André Mendonça, do STF, afirmou a juízes evangélicos que os dois primeiros anos na Corte foram 'períodos de muita infelicidade'. Ele relata pressões, limitações e o peso da responsabilidade.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que "os dois primeiros anos" na Corte "foram períodos de muita infelicidade". A declaração foi feita durante o 5º Seminário da Associação Nacional de Magistrados Evangélicos (Anamel), realizado no último dia 21, no auditório Ruy Barbosa, no campus Higienópolis da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Segundo o relato, o ministro disse viver hoje "muito mais o ônus e a responsabilidade do que qualquer outra coisa". "Minha esposa está cansada. As limitações pessoais, as pressões, os momentos difíceis, em que muitas das vezes você até coloca a Deus: 'Eu queria ter uma vida mais normal'", afirmou.
Mendonça é relator das duas maiores investigações em curso da Polícia Federal: a que mira fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master e a que apura descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. O ministro vive em meio a uma tensão entre o STF e a PF, especialmente após as investigações da Operação Sem Desconto atingirem o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, e a mesma investigação mirar Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do petista.
No Supremo desde dezembro de 2021, por indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Mendonça alertou que "a pretensão de um magistrado não pode ser ficar rico". "Alguém que chega ao Supremo deve reconhecer que chegar ao Supremo é chegar ao máximo do poder humano, em termos jurídicos pelo menos", acrescentou. "Não coloque seu coração no poder, não coloque seu coração no dinheiro, porque você vai se frustrar", concluiu.
Do ponto de vista de quem acompanha o mercado, a fala expõe o peso institucional de decisões que afetam diretamente a vida financeira de milhões de brasileiros, como os casos envolvendo o INSS. O ciclo de pressões tende a se intensificar conforme as investigações avançam, e o impacto dessas decisões costuma ecoar nos investimentos e na confiança do consumidor.