Melnick (MELK3) registra queda de 67% nas vendas no 2T26, análise
A Melnick (MELK3) registrou queda de 67% nas vendas no segundo trimestre de 2026, segundo dados oficiais. A crise climática no Rio Grande do Sul e a alta dos juros explicam o tombo. Veja a análise completa.
Melnick (MELK3) registra queda de 67% nas vendas no 2T26, análise
A Melnick (MELK3) registrou queda de 67% nas vendas no segundo trimestre de 2026, segundo balanço divulgado pela companhia. A incorporadora gaúcha viu suas vendas líquidas despencarem de R$ 360 milhões no 2T25 para R$ 120 milhões no mesmo período deste ano. O tombo reflete o impacto das enchentes históricas no Rio Grande do Sul e a manutenção da taxa Selic em 9,75% ao ano, que encareceu o crédito imobiliário.
Por que as vendas da Melnick caíram 67%?
A queda de 67% nas vendas da Melnick (MELK3) no 2T26 tem duas causas principais. A primeira é o desastre climático que atingiu o Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2026, paralisando obras e reduzindo o poder de compra da população local. A segunda é o ciclo de aperto monetário: com a Selic em 9,75% ao ano, as taxas de financiamento imobiliário subiram, afastando compradores.
Segundo o Banco Central, a Selic encerrou maio em 9,75%, patamar que torna o crédito imobiliário menos acessível. A Melnick, focada em imóveis de médio e alto padrão na região metropolitana de Porto Alegre, foi particularmente afetada.
Impacto das enchentes no setor imobiliário gaúcho
As enchentes de 2026 no Rio Grande do Sul foram as piores da história recente do estado. Dados do IBGE indicam que mais de 200 municípios declararam estado de calamidade pública. A Melnick, com obras em andamento em Porto Alegre, Canoas e São Leopoldo, precisou paralisar canteiros por semanas.
A paralisação atrasou entregas previstas para o 2T26 e gerou custos extras com realocação de equipes e proteção de materiais. A empresa também registrou provisões para perdas com imóveis danificados, embora o balanço oficial não detalhe o valor exato.
Ações MELK3: o que diz o mercado?
As ações da Melnick (MELK3) acumulam queda de 45% no ano, segundo dados da B3. O mercado precificou o risco de uma recuperação mais lenta. Analistas consultados pela Bloomberg projetam que as vendas devem se normalizar apenas no 1T27, desde que não haja novos eventos climáticos extremos.
Para investidores de longo prazo, a queda pode representar uma oportunidade de entrada, mas o ceticismo técnico é necessário. A empresa tem um histórico de margens saudáveis, com EBITDA médio de 25% nos últimos três anos. No entanto, o endividamento líquido subiu para 2,5 vezes o EBITDA, contra 1,8 vez no 2T25.
Comparação com concorrentes
A Melnick não foi a única afetada. A Cyrela (CYRE3), com exposição nacional, registrou queda de 12% nas vendas no 2T26. Já a Even (EVEN3), focada em São Paulo, manteve estabilidade. A diferença reflete a concentração geográfica: a Melnick tem 90% de suas vendas no Rio Grande do Sul, região mais impactada pelas enchentes.
Perspectivas para o 3T26
A Melnick espera retomar as vendas no 3T26, com a reabertura de estandes e a retomada das obras. A empresa também anunciou um programa de recompra de ações de até R$ 50 milhões, sinalizando confiança na recuperação. Mas a trajetória depende de dois fatores externos: a Selic e o clima.
Se o Banco Central iniciar um ciclo de corte de juros no 2S26, o crédito imobiliário pode aquecer. Por outro lado, novos eventos climáticos extremos podem prolongar a crise.
Perguntas Frequentes
A Melnick (MELK3) pode quebrar?
Risco baixo. A empresa tem caixa de R$ 200 milhões e linhas de crédito aprovadas. Mas o endividamento elevado exige cautela.
Vale a pena comprar MELK3 agora?
Para investidores com horizonte de 12 a 18 meses, o preço atual pode ser atrativo. Mas o risco climático e de juros permanece alto.
Quando as vendas devem se recuperar?
Projeções do mercado indicam normalização apenas no 1T27, desde que não haja novos eventos climáticos extremos.
Como as enchentes afetaram o setor imobiliário gaúcho?
Além da Melnick, outras incorporadoras locais como a Rossi (RSID3) também reportaram quedas. O mercado imobiliário de Porto Alegre encolheu 40% no 2T26.
Qual o impacto da Selic no setor imobiliário?
Com a Selic em 9,75% ao ano, as taxas de financiamento imobiliário subiram para 12% ao ano, reduzindo o poder de compra das famílias.