Fiemg defende retomada da taxa das blusinhas em meio a tarifaço dos EUA
Em meio ao tarifaço dos EUA, a Fiemg defende a retomada da 'taxa das blusinhas', revogada por MP em maio. Economista da entidade alerta para impacto na indústria e concorrência desleal com produtos chineses.
O tarifaço dos EUA apertou o cerco sobre a indústria brasileira, e agora a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) entra no debate com uma defesa clara: retomar a chamada 'taxa das blusinhas'. A tributação sobre importações de até US$ 50 foi revogada em maio pela Medida Provisória (MP) nº 1357, de 2026, e a entidade mineira quer vê-la de volta.
Com as novas tarifas americanas atingindo em cheio parte dos produtos brasileiros, a Fiemg argumenta que a revogação amplia a concorrência com importados em um momento de pressão sobre a indústria nacional. 'Os reflexos da revogação já aparecem nos indicadores: em junho, as importações de produtos de baixo valor alcançaram R$ 2,6 bilhões, crescimento superior a 100% em relação ao mesmo mês de 2025', afirma a federação.
Por que a Fiemg quer a taxa de volta?
Para a entidade, a medida é essencial para garantir isonomia. O economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio, classifica a revogação como de 'caráter eleitoreiro' e alerta que ela amplia a vulnerabilidade do setor produtivo. 'A indústria não busca protecionismo. O que se defende é isonomia nas condições de competição. Enquanto os produtos importados, especialmente os chineses, chegam ao Brasil sem enfrentar o chamado Custo Brasil, a indústria nacional continua arcando com uma elevada carga tributária e entraves estruturais', diz.
A federação sustenta que a retirada da tributação facilita a entrada de mercadorias importadas, principalmente da China, que competem diretamente com a produção nacional por meio de preços mais baixos. O cenário se torna ainda mais preocupante porque a indústria enfrenta dois movimentos simultâneos: perde espaço no mercado norte-americano com o tarifaço e ganha concorrência no mercado interno.
Como a MP funciona e o que pode mudar
Por se tratar de MP, a revogação da 'taxa das blusinhas' está vigente desde sua publicação. O Congresso Nacional tem até o início de setembro para analisar a medida. Se aprovada, será convertida em lei. Se rejeitada, a tributação volta automaticamente.
Além da taxa: o que mais a indústria precisa?
Pio ressalta que, além da retomada da tributação, o país precisa avançar em medidas estruturais para aumentar a competitividade. Entre elas, estão a redução do Custo Brasil, a melhoria da infraestrutura logística e energética, o equilíbrio fiscal e a ampliação do acesso ao crédito. 'O ideal é criar um ambiente econômico que permita uma competição equilibrada, reduzindo os custos enfrentados pela indústria brasileira', defende.
O que isso significa para você?
Se a taxa voltar, produtos importados de até US$ 50 podem ficar mais caros, reduzindo a vantagem de preço sobre itens nacionais. Para quem compra online, o impacto é direto no bolso. Para o trabalhador da indústria, a medida pode ajudar a preservar empregos ao equilibrar a concorrência.
Perguntas Frequentes
O que é a 'taxa das blusinhas'?
É a tributação sobre importações de até US$ 50, que incidia sobre compras internacionais de baixo valor.
Por que a taxa foi revogada?
Foi revogada pela Medida Provisória nº 1357, de 2026, em maio. A MP ainda precisa ser aprovada pelo Congresso até setembro.
Quem defende a retomada?
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) defende a retomada, citando concorrência desleal com produtos chineses.
Como o tarifaço dos EUA se relaciona com isso?
As tarifas americanas atingiram produtos brasileiros, pressionando a indústria nacional. A Fiemg vê a revogação como um agravante, pois amplia a concorrência no mercado interno.
O que mais a indústria precisa além da taxa?
Medidas estruturais como redução do Custo Brasil, melhoria da infraestrutura, equilíbrio fiscal e ampliação do crédito.