Economia

Médicos questionam evidências de plano do Pentágono para rastreio de testosterona

ResumoO plano do Pentágono para rastreio anual de testosterona em militares com 30+ anos, determinado pelo secretário Pete Hegseth, é questionado por médicos. Profissionais de saúde apontam falta de evidências científicas robustas e riscos potenciais, como impactos na fertilidade e tratamentos desnecessários, gerando controvérsia sobre a eficácia e segurança da medida.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, determinou exames anuais de testosterona para militares com 30+ anos. Médicos questionam as evidências e apontam riscos à fertilidade e tratamentos desnecessários.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 18 de julho de 2026
Médicos questionam evidências de plano do Pentágono para rastreio de testosterona

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, determinou nesta semana a realização de exames anuais para detectar deficiência de testosterona em militares na ativa e na reserva com 30 anos ou mais. A medida, segundo ele, ajudaria a manter a prontidão militar. No entanto, muitos profissionais da área médica alertam que isso pode não surtir efeito nesse sentido e, ao contrário, pode aumentar o risco de infertilidade dos militares ou acarretar outras consequências caso a testosterona seja prescrita de forma inadequada.

Médicos questionam as evidências de plano do Pentágono para rastreio de testosterona: cinco dos seis especialistas em saúde masculina contatados pela Reuters disseram estar perplexos com o anúncio e preocupados com a possibilidade de tratamentos desnecessários ou prejudiciais. Quatro deles afirmaram que não há evidências sólidas sugerindo que o rastreio em todo o pessoal com 30+ anos otimizaria a prontidão para o combate.

Por que médicos questionam o rastreio de testosterona no Pentágono

A Associação Americana de Urologia e a Sociedade de Endocrinologia recomendam a suplementação apenas para pacientes com deficiência confirmada e sintomas como redução da libido, disfunção erétil, fadiga e baixa densidade óssea. A administração sem sintomas leva ao tratamento excessivo, disse o Dr. Kevin McVary, urologista do conselho consultivo médico da Rugiet.

Os níveis de testosterona diminuem naturalmente a partir dos 30 anos, mas os 30 anos por si só não são um ponto adequado para rastreio, afirmou o Dr. Haleem Mohammed, diretor médico da Gameday Health. "Há um declínio populacional de 1% ao ano após os 30-40 anos", mas os padrões não são universais.

Riscos da terapia com testosterona para militares

Todos os especialistas contatados pela Reuters mencionaram o grave impacto na fertilidade masculina. "Muitos em nossas forças armadas são homens jovens que ainda não terminaram de constituir família", disse McVary. "Se você administrar a testosterona, os testículos encolherão." Outros riscos incluem espessamento do sangue, problemas na próstata, acne, queda de cabelo, crescimento do tecido mamário e instabilidade de humor.

A Síndrome do Operador e o alcance do rastreio

Hegseth disse que um dos objetivos é abordar a Síndrome do Operador, que afeta combatentes de forças especiais como Delta Force e Navy SEALs e inclui baixos níveis de testosterona, lesão cerebral traumática e distúrbios do sono. Mas o Dr. B. Christopher Frueh, da Universidade do Havaí, cuja equipe descreveu a síndrome em 2020, disse que esses operadores não são representativos de todos os militares. "Eles estão em um extremo do espectro."

Oportunidade para coleta de dados

O Dr. Ugis Gruntmanis, endocrinologista do Dartmouth Hitchcock Medical Center, afirmou que a nova determinação oferece uma oportunidade para coletar dados sobre homens mais jovens, mas alertou que implementar o rastreio sem estudos preliminares seria "colocar a carroça na frente dos bois".

Impacto nos rótulos de medicamentos

Com base em um estudo liderado pelo Dr. Steven Nissen, da Cleveland Clinic, envolvendo mais de 5.200 homens entre 45 e 80 anos com baixos níveis de testosterona e alto risco cardíaco, a FDA revisou os rótulos para remover um aviso sobre riscos de ataque cardíaco ou derrame. Os participantes, no entanto, apresentaram taxas mais elevadas de arritmia atrial e fraturas ósseas.

Perguntas Frequentes

O rastreio de testosterona no Pentágono é obrigatório?

Hegseth afirmou que os exames seriam acompanhados de orientações e que o tratamento seria voluntário.

Quais os riscos da terapia com testosterona?

Incluem infertilidade, espessamento do sangue, problemas na próstata, acne, queda de cabelo e instabilidade de humor.

O que dizem as associações médicas?

A Associação Americana de Urologia e a Sociedade de Endocrinologia recomendam suplementação apenas para pacientes com deficiência confirmada e sintomas.

O rastreio se aplica a mulheres?

O Pentágono não forneceu orientações detalhadas sobre se os exames se aplicarão igualmente a homens e mulheres.

O que é a Síndrome do Operador?

Descrita em 2020 pela equipe do Dr. B. Christopher Frueh, afeta combatentes de forças especiais e inclui baixos níveis de testosterona, lesão cerebral traumática e distúrbios do sono.

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