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Marinho promete nova âncora fiscal e reforma administrativa

O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, afirmou nesta segunda-feira (31) que, caso o candidato vença as eleições, vai substituir o atual arcabouço fiscal e apresentar uma reforma administrativa já no primeiro ano de mandato. A declaração ocorreu durante o Macro Day 2026, evento promovido pelo BTG Pactual.

Marinho defendeu um Orçamento com receitas e despesas equilibradas, mas não detalhou o formato da nova âncora fiscal nem apresentou meta para o resultado primário. "Vamos fazer uma nova regra fiscal", disse. "A gente só resolve isso, primeiro, se fizer um Orçamento em que receita e despesa sejam equivalentes."

Questionado sobre a manutenção dos reajustes reais do salário mínimo, o senador não respondeu diretamente. Afirmou apenas que um eventual ajuste fiscal não começaria "pelos mais humildes" e que os três Poderes deveriam contribuir para a redução das despesas. "Todo mundo tem que dar a sua contribuição. O que o Judiciário vai fazer? O que o Legislativo vai fazer em relação às emendas? E o que o Executivo vai fazer?", questionou.

Entre as medidas defendidas está uma reforma administrativa voltada à definição das carreiras de Estado e à restrição de pagamentos acima do teto constitucional. Marinho citou que esses pagamentos somaram R$ 24 bilhões no ano passado, dos quais 90% estariam concentrados no Judiciário, sem detalhar a fonte dos números.

O senador também listou a profissionalização das empresas estatais, a revisão de despesas públicas e a securitização de créditos como caminhos para melhorar as contas. Segundo ele, a profissionalização das empresas públicas poderia gerar ganho fiscal de ao menos R$ 10 bilhões por ano. Ele comparou um resultado positivo de R$ 18 bilhões no governo Jair Bolsonaro com um déficit de aproximadamente R$ 34 bilhões sob Lula.

Marinho criticou o arcabouço atual e afirmou que a regra sofreu alterações desde sua aprovação, em 2023. "O governo, de forma recorrente, fez orçamentos em que sempre anuncia um superávit que não é realizado", disse. Ele responsabilizou a expansão das despesas pela deterioração da dívida pública e pelo aumento do custo dos juros, afirmando que política fiscal e monetária caminham em direções opostas.

O senador disse que o governo paga mais de R$ 1 trilhão por ano em juros, ante pouco mais de R$ 500 bilhões em 2022. Cada redução de um ponto percentual na taxa básica representaria economia próxima de R$ 80 bilhões. Ele classificou o atual nível dos juros como "absolutamente imoral", mas defendeu a autonomia do Banco Central. "A sorte do Brasil foi a independência do Banco Central", afirmou.

Marinho projetou que uma eventual reeleição de Lula poderia levar os juros a 17% e o dólar a R$ 6. Em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, estimou taxa entre 12% e 13% no primeiro ano e câmbio a R$ 4,60, sem apresentar os cálculos. reforma administrativa e carreiras de Estado arcabouço fiscal e metas de resultado primário

Lia Hartmann
Especialista em renda fixa
Especialista em renda fixa.
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