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Maioridade penal aos 16 anos: entenda a PEC da Câmara

Maioridade penal aos 16 anos: entenda o que muda na proposta analisada pela Câmara

A Câmara dos Deputados inicia nesta quarta-feira (12) uma nova fase da discussão sobre a redução da maioridade penal. Uma comissão especial será instalada para analisar a proposta que permite responsabilizar criminalmente adolescentes de 16 e 17 anos em situações específicas.

O que muda na prática? A PEC altera o artigo 228 da Constituição, que hoje considera penalmente inimputáveis todos os menores de 18 anos. Pelo novo texto, essa proteção continuaria como regra, mas deixaria de valer em determinados crimes considerados de maior gravidade.

O que é a PEC da maioridade penal aos 16 anos

A proposta ainda não é lei. Trata-se de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que precisa passar pela comissão especial e, depois, ser aprovada em dois turnos pelo plenário da Câmara, com pelo menos 308 votos em cada votação. Se avançar, seguirá para o Senado.

A PEC não prevê a redução automática da maioridade penal para todos os crimes. A mudança alcançaria adolescentes de 16 e 17 anos envolvidos em crimes hediondos ou em situações classificadas como crueldade extrema contra pessoas ou animais.

Quais crimes estão incluídos na proposta

Entre os delitos mencionados pelo texto estão estupro, estupro de vulnerável, latrocínio, tortura e homicídio qualificado praticado com crueldade extrema. A proposta também inclui casos graves de maus-tratos contra pessoas e animais.

A lista definitiva dependeria de uma legislação posterior, que teria de detalhar quais condutas entrariam na nova regra.

Como funcionaria a responsabilização criminal

Mesmo nos crimes abrangidos pela PEC, o adolescente não passaria automaticamente a responder como adulto. O texto exige uma análise individual de cada caso para verificar se o jovem tinha capacidade de compreender o caráter ilegal da conduta no momento do crime.

Essa avaliação deverá seguir critérios técnicos objetivos, que também serão definidos posteriormente em lei.

A proposta mantém garantias como direito à defesa e ao devido processo legal e determina que a situação específica de adolescentes em desenvolvimento seja considerada no processo.

O que ainda falta definir

A PEC deixa parte relevante das regras para uma futura legislação. Essa nova norma deverá estabelecer quais crimes estarão incluídos na exceção, os métodos usados para avaliar a capacidade de compreensão do adolescente, o regime jurídico aplicável e as garantias processuais específicas.

O modelo de cumprimento da pena, portanto, ainda não está definido no texto constitucional que começa a ser discutido pela comissão.

Tramitação na Câmara: o que já aconteceu

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou em junho, por 44 votos a 18, a admissibilidade da proposta. A decisão significa que a maioria do colegiado considerou possível dar continuidade à tramitação do texto sob o ponto de vista constitucional.

A comissão especial instalada nesta quarta será responsável por discutir o conteúdo da PEC e poderá alterar a proposta.

Quem comanda a comissão

O deputado Aluisio Mendes (Republicanos-MA) comandará o colegiado, enquanto Mendonça Filho (PL-PE) será o relator. Caberá a ele elaborar o parecer que será submetido aos demais integrantes.

A partir da instalação, também começa a contar o prazo de dez sessões do plenário para apresentação de emendas pelos deputados.

Calendário e expectativa de votação

A expectativa entre os integrantes da comissão é de que o debate se estenda durante o período eleitoral e seja concluído apenas depois das eleições, provavelmente em novembro.

A redução da maioridade penal volta ao Congresso em um ambiente de divergência entre os partidos. Parlamentares de direita e centro-direita têm defendido mudanças na responsabilização de adolescentes envolvidos em crimes graves.

O tema chegou a ser discutido durante a tramitação da PEC da Segurança Pública, também sob relatoria de Mendonça Filho.

Partidos de esquerda, entre eles PT e PSOL, historicamente se posicionam contra a redução da idade penal.

A proposta que começa a ser analisada agora procura limitar a mudança aos crimes considerados mais graves. A discussão na comissão especial deverá definir se esse desenho será mantido antes de o texto chegar ao plenário.

Análise: o que essa PEC significa para o debate sobre segurança pública

A proposta chega em um momento de disputa política sobre o tema. O desenho atual tenta restringir a mudança a um conjunto específico de crimes, o que pode facilitar a construção de consenso, mas ainda depende de definições posteriores que podem alterar o alcance real da medida.

A exigência de análise individual de cada caso, com critérios técnicos objetivos, é um ponto que pode gerar debate sobre a viabilidade prática da proposta. A definição desses critérios em lei posterior será central para a aplicação da norma.

Perguntas Frequentes

A maioridade penal já foi reduzida para 16 anos?

Não. A proposta ainda é uma PEC em análise na Câmara. Ela precisa ser aprovada pela comissão especial, em dois turnos no plenário com pelo menos 308 votos, e depois seguir para o Senado.

Quais crimes estão na proposta?

Estupro, estupro de vulnerável, latrocínio, tortura e homicídio qualificado com crueldade extrema, além de casos graves de maus-tratos contra pessoas e animais.

O adolescente de 16 anos vai para a prisão se a PEC for aprovada?

Não automaticamente. O texto exige análise individual para verificar a capacidade de compreensão do jovem, e o regime de cumprimento de pena ainda será definido em lei posterior.

Quando a proposta deve ser votada?

A expectativa é que o debate se estenda durante o período eleitoral e seja concluído depois das eleições, provavelmente em novembro.

Quem é o relator da proposta?

O deputado Mendonça Filho (PL-PE) é o relator. O deputado Aluisio Mendes (Republicanos-MA) comanda o colegiado.

PEC da Segurança Pública: entenda o que muda Direitos de adolescentes em conflito com a lei Como funciona a tramitação de uma PEC

Rubens Athayde
Economista de mercado
Economista de mercado.
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