Lula na campanha: aliados fortes, mas duas crises no radar
Lula é oficializado candidato à reeleição neste domingo com chapa fechada e R$ 127 milhões do fundo eleitoral, mas a largada tem duas crises no radar: o inquérito de Lulinha e o caso do apartamento ligado a Jaques Wagner.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será oficializado neste domingo (2) como candidato à reeleição, durante a convenção nacional do partido em São Paulo. Aos 80 anos, ele busca um quarto mandato e pode ampliar o recorde de presidente mais velho eleito e empossado no Brasil. A cerimônia será no Expocenter Norte, com ministros e dirigentes do partido.
Resposta direta: Lula larga na campanha com a chapa fechada e aliados consolidados, mas o cenário inclui duas crises no radar. O STF autorizou um inquérito sobre Lulinha, filho do presidente, e a PF revelou informações sobre um apartamento ligado ao senador Jaques Wagner. A estratégia do PT é focar em temas de governo.
Chapa fechada e aliados de peso
O PSB confirmou Geraldo Alckmin como vice, repetindo a composição de 2022. PDT e PCdoB também formalizaram apoio. PV, Psol e Rede devem concluir alianças nos próximos dias. Essa base dá a Lula a maior estrutura para a propaganda eleitoral gratuita, embora o cálculo definitivo dependa das alianças de Flávio Bolsonaro com União Brasil, PP e Republicanos.
O cálculo oficial será divulgado pelo TSE após o registro das candidaturas, em 15 de agosto.
Duas crises no radar
A convenção acontece em meio a duas frentes de desgaste. O STF autorizou inquérito para investigar Luís Cláudio Lula da Silva, o Lulinha, por suspeitas relacionadas ao caso do INSS. A PF também revelou novas informações sobre negociações envolvendo um apartamento ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) e ao empresário Daniel Vorcaro, investigado na Operação Compliance Zero.
Embora não atinjam diretamente a candidatura, os episódios alteram o ambiente político. A estratégia do PT é concentrar o debate em governo e popularidade, evitando que os casos dominem o noticiário.
R$ 127 milhões do fundo eleitoral
O PT destinou R$ 127 milhões do fundo eleitoral para a campanha presidencial. Isso representa 20,64% dos cerca de R$ 615 milhões que o partido receberá do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Em valores corrigidos, é mais do que em 2022, quando Lula recebeu R$ 66,7 milhões. Proporcionalmente, porém, a fatia caiu de 26% para pouco mais de 20%.
A estratégia é distribuir mais recursos para o Congresso e governos estaduais, sem concentrar tanto na disputa presidencial.
Primeiro turno no discurso
Lula passou a defender abertamente a vitória no primeiro turno. Na convenção do PSB, ele disse: "Aquele ditado de que o vinho, quanto mais velho, melhor fica, eu quero dizer que vocês têm aqui duas garrafas de vinho da melhor qualidade. Bebam elas para que a gente possa chegar no dia 4 de outubro e matar as eleições no 1º turno."
A pesquisa Atlas/Bloomberg mostra aprovação de 47,6%, ante desaprovação de 51,2%. O Datafolha aponta 49% de aprovação e 48% de desaprovação.
O que esperar da largada
Aliados reconhecem que a campanha dependerá da economia, do eleitorado independente e da capacidade da oposição de ampliar alianças. Esses fatores definem se a vantagem inicial sustentará a narrativa de vitória sem segundo turno.
Perguntas Frequentes
Quanto o PT destinou à campanha de Lula?
R$ 127 milhões, cerca de 20,64% do fundo eleitoral do partido.
Quais são as duas crises no radar?
O inquérito sobre Lulinha no caso do INSS e as informações da PF sobre um apartamento ligado a Jaques Wagner.
Quando será o grande ato de lançamento?
Em 16 de agosto, em São Bernardo do Campo.
Quem é o vice na chapa?
Geraldo Alckmin, do PSB, repetindo a composição de 2022.