Lula fala em crise no Judiciário e pede fim de sigilo no Caso Master
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu nesta quarta-feira uma crise no Poder Judiciário e pediu o fim do sigilo de todas as investigações envolvendo o banco Master. A declaração, feita na rede social X, marca a primeira manifestação direta do presidente após decisões do ministro André Mendonça que afetaram a Polícia Federal.
"Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral", escreveu Lula. "Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade."
Fontes palacianas disseram à Reuters que a posição pública sinaliza a estratégia do governo para um problema que foi agravado pelas decisões de Mendonça. Na terça-feira, Lula concluiu que a crise na Suprema Corte afetaria diretamente sua campanha à reeleição, especialmente após o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência, Leandro Almada.
As medidas de Mendonça, que alegou monitoramentos ilegais contra ele e outras autoridades, foram revertidas por decisões dos ministros Flávio Dino e, depois, do presidente do STF, Edson Fachin. Em uma só tacada, Fachin cassou as liminares e devolveu Rodrigues ao comando da PF, além de tirar Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news e suspender investigações que envolvam ministros do STF.
O governo foi cobrado por ministros do STF por falta de interlocução confiável. O advogado-geral da União, Jorge Messias, é visto por fontes como parte do problema, devido à proximidade com Mendonça. Já o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, é descrito como "tímido" e sem confiança do presidente para esse diálogo.
Ministros analisarão no dia 15 a validade do relatório da PF, o pedido da PGR para anular a apuração e a eventual abertura de investigação contra Moraes. A investigação de 2019 continua em vigor; processos que viraram ações penais permanecem sob relatoria de Moraes.